O caçador de nazistas Simon Wiesenthal foi sepultado nesta sexta-feira em Israel, onde foi lembrado como um sobrevivente de campos de concentração que se recusou a permitir que os horrores do Holocausto ficassem impunes ou fossem esquecidos.
Centenas de pessoas, incluindo dignitários estrangeiros e ex-prisioneiros de campos nazistas, lotaram o pequeno cemitério da cidade litorânea de Herzliya para homenagear o homem que ajudou a apanhar alguns dos mais notórios criminosos da Segunda Guerra Mundial.
- Depois de tudo o que aconteceu, Simon Wiesenthal deu esperança ao futuro do povo judeu - disse o vice-primeiro-ministro Michael Melchior à multidão reunida diante do corpo, envolvido em um tradicional manto funerário branco.
Desafiando o destino que o regime de Adolf Hitler traçou para ele há seis décadas, Wiesenthal morreu dormindo nesta terça-feira, em seu apartamento em Viena, aos 96 anos.
Pode parecer uma doce vingança para Wiesenthal, mas ele sempre disse que esse não era o seu objetivo, e sim a justiça. Certa vez, afirmou que seu maior desejo foi sempre manter a promessa feita por ele aos seis milhões de judeus mortos pela Alemanha nazista:
- Não esqueci vocês."
Wiesenthal é especialmente lembrado por ter localizado Adolf Eichmann, que dirigiu o transporte de judeus para os campos e foi sequestrado por israelenses na Argentina em 1960. Eichmann foi posteriormente julgado, condenado e enforcado por Israel.
O caça-nazistas também foi o responsável por desmascarar o oficial da SS que prendeu Anne Frank e a enviou para a morte, um caso que derrubou a tese de neonazistas que qualificavam de fraude o famoso diário escrito pela adolescente judia de Amsterdã.
Já a busca de Wiesenthal pelo "Anjo da Morte" Joseph Mengele terminou sem sucesso, pois o médico nazista foi encontrado morto no Brasil e teve seu corpo identificado em 1985.
Na véspera do funeral de Wiesenthal, a Croácia pediu à Áustria que extradite um homem de 92 anos acusado de ter supervisionado a deportação de centenas de judeus, sérvios e ciganos para campos de concentração.
Apesar desse fato, especialistas dizem que o avanço do tempo pode fazer com que a morte apanhe os últimos nazistas antes da Justiça.
Wiesenthal sempre gostou dos holofotes, e alguns críticos dizem que suas afirmações às vezes eram exageradas. Mas poucos contestam que, do seu apertado escritório de Viena, ele recolheu informações que ajudaram a levar até 1.100 fugitivos nazistas à Justiça.
- Tomara que seu falecimento relembre as pessoas de que há criminosos de guerra nazistas que podem e devem ser processados - disse Efraim Zuroff, diretor do Centro Simon Wiesenthal em Jerusalém.
Nascido na atual Ucrânia, Wiesenthal foi capturado pelos alemães em 1941 e passou por 12 campos de concentração. Quando os soldados norte-americanos o libertaram, ele pesava 50 quilos.
A caçada promovida por Wiesenthal inicialmente enfrentou a resistência de alguns governos, inclusive dos Estados Unidos e da União Soviética, que estavam secretamente recrutando cientistas alemães para a Guerra Fria. Anos depois, ele seria homenageado por países de todo o mundo.