Rio de Janeiro, 11 de Janeiro de 2026

Simon faz discurso para defender processo de cassação de Collor

Quarta, 21 de Março de 2007 às 17:10, por: CdB

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez, nesta quarta-feira, um contraponto ao discurso realizado pelo colega Fernando Collor (PTB-AL), na semana passada, quando deu a sua versão sobre o processo de cassação a que foi submetido em 1992. Simon rebateu os argumentos de Collor de que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada para investigar a denúncia feita por Pedro Collor - irmão do ex-presidente - de formação de quadrilha no governo seria "uma farsa".

Segundo o peemedebista gaúcho, que integrou esta CPMI, a comissão cumpriu todos os ritos para sua instalação. Simon lembra que "após uma crise de identidade", quando não conseguia provas materiais sobre as informações colhidas em depoimento, apareceu o motorista Eriberto França que prestava serviço para a então secretária particular do presidente, Ana Accioly.

- A partir daquele momento os fatos passaram a falar por si. A equipe técnica (da CPMI) cruzava informações e a cada momento surgia provas. Cheques que migravam de contas fantasmas e acabavam depositados em contas de pessoas envolvidas no esquema de Paulo César Farias -, afirmou Simon.

Simon, advogado de defesa há 50 anos, não poupou o Supremo Tribunal Federal (STF) pela decisão de, por falta de provas, determinar o arquivamento das denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República contra o ex-presidente.

- Foi triste esta decisão do Supremo Tribunal como têm sido triste todas as decisões tomadas recentemente. O STF disse que por falta de prova arquivaria. Não poderia ter feito isso. Tinha que pedir a abertura de diligências -, criticou.

Apesar do arquivamento das denúncias pela Suprema Corte, Pedro Simon reconheceu que, na história recente do país, Fernando Collor foi o único presidente punido politicamente com cassação de mandato e direitos políticos. Disse, ainda, que em nenhum momento o então presidente usou "a força da caneta" para tentar impedir o andamento das investigações da comissão.

Num debate de cerca de três horas, com apartes de vários senadores, sem qualquer exaltação, Fernando Collor tentou rebater a colocações do colega gaúcho. Voltou a afirmar que a sua versão da história do "impeachment" baseia-se em fatos.

- Nós vivemos num Estado democrático de direito. Foram dois anos de investigações que resultaram num processo de 15 a 16 mil páginas. O senhor tem a convicção no que disseram, nas informações passadas pela imprensa e nos depoimentos colhidos. Eu trago os atos que foram investigados pela CPI -, disse.

Sem citar nomes, Fernando Collor começou a contar alguns bastidores do seu processo de cassação. Para justificar que os deputados e senadores teriam decidido pedir seu impedimento sob pressão, Collor afirmou que "um determinado diretor de uma revista de circulação nacional foi, pessoalmente, conversar com o então presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, e políticos de estirpe. Havia pressão, sim, dos meios de comunicação".

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