Quase todas as evidências no processo de Michael Jackson por abuso sexual infantil vêm sendo mantidas em sigilo por juízes, promotores e os advogados do popstar. Para os críticos, é mais um indício de uma tendência preocupante em torno de julgamentos de pessoas famosas, especialmente na Califórnia.
Estudiosos da Primeira Emenda Constitucional norte-americana (que garante a liberdade de expressão) e defensores da imprensa dizem que essa restrição de acesso aos julgamentos de celebridades cheira a acordos escusos para proteger ricos e famosos, ao mesmo tempo em que prejudica a confiança pública na justiça feita pelos tribunais americanos.
Ted Boutrous, advogado de órgãos de imprensa que buscam acesso ao processo de Jackson, disse: ``existe em todo o país uma tendência dos tribunais de permitir menos acesso público quanto mais interesse público houver por um caso, e essa tendência é perigosa para o processo judicial.''
Para Boutrous, ``o argumento chave em favor da autorização do escrutínio público é que isso gera confiança pública e permite o acompanhamento do processo.''
Mas outros envolvidos no sistema de justiça criminal dizem que os juízes são obrigados a tomar medidas extraordinárias para preservar os direitos dos réus famosos, diante de uma cobertura de imprensa maciça que os redatores da Constituição não poderiam ter previsto.
Os juízes da Califórnia ainda lembram o ``julgamento do século'', em 1995, quando O.J. Simpson foi absolvido da acusação de homicídio.
Muitos acham que o julgamento foi prejudicado pelo frenesi da mídia que o juiz Lance Ito, da Corte Superior de Los Angeles, não conseguiu controlar.