Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Sigilo era preciso no início do governo, diz líder do PT

Sexta, 25 de Fevereiro de 2005 às 12:05, por: CdB

O senador Delcidio Amaral (MS), líder do PT no Senado, tentou minimizar nesta sexta-feira as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que relatou não ter mandado apurar irregularidades em empresa pública ocorrida na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

O Planalto não deve fazer uma retratação pública. Vai esperar um possível nota do ex-presidente.

Delcidio confirmou que o presidente Lula se referia ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"A lógica dele de não divulgar o caso era sensata. No início do governo, ninguém acreditava no PT e tinha que levar a coisa no sigilo para não prejudicar uma instituição como o BNDES", afirmou o senador.

Na quinta-feira, Lula contou em discurso de improviso que evitou a divulgação e apuração de irregularidades em uma estatal, após denúncia de seu dirigente no início do governo. A estatal, que o presidente não informou qual seria, teria quebrado após um processo de corrupção na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

As declarações abriram uma crise com o PSDB. No Congresso, a oposição reagiu fazendo duras críticas ao presidente com ameaças de recorrer à Justiça.

Coube a Delcidio, recém-escolhido líder da bancada, ser o porta-voz do governo no Congresso. Ele havia deixado Brasília na noite de quinta-feira e teve de retornar para reunir-se com Lula e os ministros do núcleo político.

Segundo o senador, Lula se referia à venda da Eletropaulo para a norte-americana AES. Delcidio explicou que, na ocasião, a divulgação da operação de venda traria desconfiança do mercado em relação ao novo governo.

"O presidente Lula precisava mais do que nunca mostrar que o PT e os aliados caminhavam para um país cada vez melhor."

O senador tucano Arthur Virgílio (AM), que já havia afirmado em nota em que considerava o caso motivo para impeachment, quer agora aprovar no Senado uma moção conjunta de censura a Lula.

O líder do PFL, senador José Agripino (RN), disse que procurará o Ministério Público para se certificar se o presidente pode ser punido por "prevaricação."

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