Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

<i>Sideways</i> sairá ganhando mesmo se perder o Oscar

Terça, 22 de Fevereiro de 2005 às 14:59, por: CdB

Quando o frenesi em torno do Oscar passar, talvez o maior vencedor seja o filme que ficar com o menor número de estatuetas da Academia, e esse filme pode ser a comédia Sideways - Entre Umas e Outras.

O filme sobre dois homens de meia-idade em busca do amor durante férias regadas a vinho na região vinicultora da Califórnia foi indicado para cinco prêmios da Academia, incluindo o de melhor filme. Mas os palpites são de que pode ganhar apenas a estatueta de melhor roteiro.
Mesmo assim, deixando de lado suas possíveis vitórias no domingo, o bom recebimento da crítica e o sucesso de bilheterias de Sideways já colocaram o diretor Alexander Payne e o roteirista Jim Taylor na vanguarda dos jovens cineastas mais interessados em histórias humanas do que em ação e efeitos especiais esfuziantes.

Taylor disse à Reuters que o sentimento mais gratificante da temporada de premiações deste ano é resultante da atenção que Sideways, feito com orçamento modesto, vem recebendo de críticos e fãs, mesmo competindo com os filmes de grande orçamento.

A comédia já foi considerada o melhor filme de 2004 por críticos de cinema de Nova York, Los Angeles, Boston, Chicago e San Francisco e recebeu o Globo de Ouro de melhor musical ou comédia. Sua bilheteria já alcança a marca nada desprezível de 54 milhões de dólares.

- As pessoas estão comentando o humanismo do nosso filme e especulando sobre uma nova tendência do cinema. É emocionante, porque é esse o tipo de filme de que gostamos - disse Taylor.

Na disputa por melhor longa, os observadores do Oscar este ano estão apostando não tanto em Sideways quanto em Menina de Ouro, de Clint Eastwood, e O Aviador, de Martin Scorsese.
Payne foi indicado para melhor diretor, mas ocupa um segundo plano em relação a Eastwood e Scorsese. E Thomas Haden Church e Virginia Madsen, de Sideways, enfrentam concorrência acirrada na disputa pelos Oscar de melhor ator e atriz coadjuvantes.

Os observadores do Oscar acham que a melhor chance de Oscar para Sideways é o prêmio de melhor roteiro, que ficaria com Payne e Taylor.

Deixando o Oscar de lado, Taylor acha que ele e Payne já tiveram sorte em Hollywood porque seus quatro filmes foram bem recebidos pelo público. Os críticos dizem que seu sucesso é menos questão de sorte e mais de bons roteiros e boa direção.

Primeiro, em 1996, veio Ruth em Questão, sobre uma mulher que participa com relutância da discussão do aborto. Em seguida foi a vez de A Eleição, sobre estudantes e um professor numa campanha eleitoral num colégio, que valeu a Payne e Taylor uma indicação ao Oscar de melhor roteiro.

O terceiro filme da dupla, As Confissões de Schmidt, de 2002, valeu indicações ao Oscar para Jack Nicholson e Kathy Bates.

O escritor de Los Angeles Pete Hammond, especializado em cinema, compara os filmes de Payne e Taylor aos de Billy Wilder e o roteirista I.A.L. Diamond, que fundiam drama e comédia, como no caso de Se Meu Apartamento Falasse, premiado com o Oscar em 1960.

O veterano crítico Emanuel Levy compara o trabalho de Payne e Taylor à nouvelle vague do cinema francês, na década de 1960, e ao renascimento do cinema norte-americano na década de 1970.

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