O senador Sibá Machado (PT-AC), em entrevista a jornalistas, na manhã desta quarta-feira, reafirmou que as críticas de militares à política indigenista, por supostamente ameaçar a segurança nacional nas fronteiras, estão baseadas em preconceitos e em interesses não revelados.
- Levando-se em conta a tecnologia e o poder ofensivo de outros países, estabelecer que índios são uma ameaça à segurança nacional é querer enganar a nós mesmos. Dizer que índios mal-alimentados, usando arcos e flechas de taboca ameaçam à segurança nacional... Me perdoe, mas eu tenho de ridicularizar, porque é o que merece. Não vou acreditar nisso nunca! - disse o senador.
O parlamentar não se referiu, diretamente, ao general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, que se declarou contrário à demarcação de terras indígenas em Roraima. O senador acreano, no entanto, defendeu o esclarecimento das questões envolvendo a demarcação de reservas indígenas, e sugeriu que o ponto central, mas não declarado, do conflito é a exploração das riquezas que estão no solo e subsolo das terras em poder dos índios.
Sibá Machado chamou a atenção, por exemplo, para a atitude dos plantadores de arroz que brigam para permanecer na Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Eles teriam recebido terras e apoio do governo estadual para plantarem em outro local, mas recusam-se a deixar a reserva. E o fazem às custas de destruição de pontes e estradas.
Sobre a ocupação da Amazônia como um todo, o senador reclamou a definição de "objetivos de Estado" para a região. Para ele, o incentivo dos militares à ocupação humana das fronteiras "é fruto de uma visão atrasada ainda dos anos 70". O senador acredita que esse estímulo levou à destruição ambiental, com a cessão de lotes de até 100 hectares pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
De lá para cá, a exploração da floresta ganhou contornos de crime ambiental, como os que estão sendo combatidos pela Operação Arco de Fogo, a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Polícia Federal e da Força Nacional.
- Sou até favorável à revisão de penas para quem provar que está trabalhando de forma legal, mas quem comete crime tem que ir para a cadeia - afirmou o senador, que esteve na semana passada, junto com outros senadores, visitando localidades atingidas pela operação.
Sibá opinou também sobre as diretrizes ambientais que considera mais adequadas à atividade produtiva na Amazônia e no cerrado. Para ele, já há um ponto de vista firmado entre os especialistas de que a exploração agrícola "deve ser vertical e não horizontal". Ou seja, deve-se buscar o máximo de produtividade dentro da menor extensão de terreno possível.