Mesmo um ogro grande e verde pode sofrer para crescer, especialmente se seu nome for Shrek.
"Shrek 2", a sequência animada do sucesso de 2001 "Shrek", estréia nesta quarta-feira nos Estados Unidos. Seus criadores prometem uma história que faz refletir, misturando brincadeiras com contos de fada que transformaram o primeiro filme num sucesso enorme de público.
Em "Shrek", o monstro de ouvidos de antena (que tem a voz de Mike Myers) e seu fiel escudeiro, o burro (Eddie Murphy), salvaram a bela princesa Fiona (Cameron Diaz) de um dragão que soprava fogo pelas ventas.
E, no processo, eles brincaram com praticamente todos os contos de fadas escritos pelos irmãos Grimm ou imaginados pela Disney.
A ironia e a genialidade de "Shrek" estavam no fato de seu final "feliz para sempre" ser semelhante aos dos contos de fada de que zombava.
Fiona se transformou de princesa em monstra e se casou com seu amado Shrek. O humor debochado do filme e sua mensagem doce -- a de que o amor vem sob muitas formas -- agradaram em cheio.
"Shrek" ganhou o primeiro Oscar jamais dado a um longa animado. O filme arrecadou 267 milhões de dólares na bilheteria norte-americana e canadense e um total mundial de 455 milhões.
Se "Shrek 2" for um sucesso tão grande quanto o primeiro Shrek, será boa notícia para a DreamWorks, o estúdio fundado há dez anos por Steven Spielberg, David Geffen e Jeffrey Katzenberg.
Consta que a empresa estaria cogitando abrir seu capital e que uma boa bilheteria seria ótima para fortalecer suas perspectivas.
BELEZA INTERIOR
Em "Shrek 2", o público vai descobrir que, passada a lua-de-mel, o mundo de contos de fadas dos finais felizes entra em choque com as responsabilidades do mundo real.
"Eu quis fazer de 'Shrek 2' uma história mais complexa", disse o diretor e roteirista Andrew Adamson. "Mas também não queria decepcionar os fãs."
As primeiras resenhas e reações do público estão sendo positivas. Tudo indica que, no final, Adamson poderá viver bem e feliz para sempre.
"Shrek 2" começa com o casal em sua lua-de-mel romântica. Quando eles voltam à casa de Shrek no pântano, o burro os está esperando. Sua vida amorosa com a dragoa amansada não anda tão bem quanto a de Shrek e Fiona.
Pouco depois, os pais humanos de Fiona chamam o casal para visitá-los na Terra do Muito Longe. Mas eles não sabem que Fiona se casou com um ogro, nem que resolveu virar monstra também.
Eles partem para a Terra do Muito Longe, que se parece muito com Hollywood -- tem até um letreiro dizendo "Far, Far Away" no alto de uma colina ao lado da cidade.
Chegando lá, ficamos sabendo que Fiona deveria ter se casado com o charmoso Príncipe Encantado (Rupert Everett). O pai de Fiona, o rei Harold (John Cleese), contrata um espadachim, o Gato de Botas (Antonio Banderas), para expulsar Shrek de lá.
Mas seus planos dão errado quando Shrek e o burro fazem amizade com o Gato e encontram uma poção secreta que transforma Shrek num humano bonito e faz Fiona voltar a ter a aparência de antes.
A questão que o casal enfrenta, agora, é saber se ser bonitos os fará verdadeiramente felizes. E, para falar da obsessão cultural com a imagem, não existe melhor lugar do que Hollywood.