Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Shopping Leblon fecha, com medo de rolezinho, e lojista reclama do prejuízo

Domingo, 19 de Janeiro de 2014 às 13:42, por: CdB
shopping-leblon.jpg
Instalação no Shopping Leblon, ano passado, em homenagem à Liberdade, Igualdade e Fraternidade, lema da República Francesa, mas que fechou as portas aos manifestantes, neste domingo
Embora a direção do Shopping Leblon tenha fechado as portas neste domingo, sob a alegação de que não teria como garantir a segurança dos lojistas, comerciantes ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil, neste domingo, discordaram da medida. Na véspera, o grupo Habeas Corpus-Rio de Janeiro conseguiu impugnar a decisão liminar da 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro, que, na prática, impedia a prática de “rolezinho” convocado para a tarde deste domingo. – A determinação da diretoria do shopping, de impedir a presença do público neste domingo, foi arbitrária e poderá trazer consequências muito piores aos lojistas do que se permitisse a presença dos manifestantes. O movimento é claramente pacífico e a segurança do shopping poderia, tranquilamente, lidar com alguma situação fora do normal. A medida é, antes de tudo, preconceituosa e acarreta prejuízos financeiros aos comerciantes e trabalhadores – disse a gerente de uma das lojas ao CdB, por telefone, na condição de anonimato. O grupo Habeas Corpus-Rio de Janeiro, formado por advogados e advogadas voluntário/as, que se reuniram no entorno das manifestações de julho do ano passado, já estuda um processo contra a diretoria do Shopping Leblon, pela decisão de fechar um estabelecimento público. "O objetivo do grupo é defender os princípios do Estado de Direito, especialmente o direito de livre reunião e de livre manifestação do pensamento, que são bases jurídicas e políticas do Direito e da Democracia", afirma o grupo, em nota. Apesar dos pedidos de explicação, a administração do centro comercial localizado em um dos bairros mais caros do Rio de Janeiro limitou-se a afirmar, em nota, que a decisão de fechar as portas foi tomada para "garantir a integridade de seus clientes, lojistas e colaboradores", após "tomar conhecimento da mobilização de evento para milhares de pessoas". Salvo-conduto Ao longo da semana, a diretoria do shopping conseguiu proibir o "rolezinho" e estabelecer multa de R$ 10 mil por pessoa que participasse do evento, em uma controversa decisão judicial, derrubada na noite passada. A desembargadora Regina Lucia Passos determinou que fossem garantidos o acesso e o direito de manifestação, e concedeu um salvo-conduto, em atendimento ao grupo de advogados, com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil. No sábado à noite, dezenas de pessoas se encontraram para um "rolezinho" no Shopping Plaza, em Niterói, na região metropolitana do Rio, que fechou as portas no fim da tarde, por causa do evento. Não houve saques ou atos de vandalismo, e nenhuma pessoa foi detida, segundo a Polícia Militar. Durante a semana, a Secretaria Estadual de Segurança Pública declarou não se opor ao encontro de jovens em centros de compras e que não estabeleceu abordagens nas ruas e em ônibus para coibir a prática. Na ocasião, o secretário José Mariano Beltrame disse que "o 'rolezinho' não é crime" e que a segurança nas áreas internas dos shoppings deve ser feita por segurança privada.
Tags:
Edições digital e impressa