Gerações de protagonistas ingênuas e atrizes peculiares vieram e se foram desde que Shirley MacLaine estreou no cinema aos 21 anos, em O Terceiro Tiro, de Alfred Hitchcock. Cinquenta anos depois, aos 71, MacLaine teve um daqueles anos de retorno aos holofotes em que tudo dá certo. A ruivinha roubou a cena no Premiere Women in Hollywood, em setembro, ao lado de Reese Witherspoon, Charlize Theron e Rachel Weisz, quando elas insistiram em homenageá-la. Também roubou Em Seu Lugar, dirigido por Curtis Hanson e com Cameron Diaz e Toni Collette no elenco - em um papel que poderá lhe render seu segundo Oscar.
E brilha ainda em Rumour Has It, de Rob Reiner, com Jannifer Aniston e Kevin Costner. Ela aproveita cada minuto disso. "
- Meryl (Streep) não pode envelhecer mais. Se ela decidir fazer 65 anos, eu não vou ser a primeira opção para os roteiros - disse a atriz, com um sorriso maroto.
A volta à telona veio depois de um período de baixa para MacLaine. Ela tinha grandes esperanças para O Entardecer de uma Estrela (1996), a sequência de Laços de Ternura, mas o filme foi um fracasso, assim como o drama familiar Bruno, sua estréia na direção. Depois de fazer uma série de filmes para a TV, seu retorno ao cinema começou com o pequeno papel de Endora em A Feiticeira, de Nora Ephron, contracenando com Nicole Kidman e Michael Caine.
- Eu sonhava em interpretar Endora - contou.
Em 2006, ela estará num filme de Richard Attenborough, Closing the Ring, sobre uma "mulher que volta à Irlanda para descobrir o que aconteceu a seu antigo amor, perdido durante a Segunda Guerra".
- Dickie queria fazer esse filme há um bom tempo e me procurou há três anos, muito antes disso tudo acontecer comigo.
MacLaine também se imagina voltando aos palcos da Broadway num show solo.
-Tenho uma imagem na cabeça - afirmou.
Mas as exigências para isso seriam enormes.
- Você não tem idéia do que é fazer isso oito vezes por semana. Você não tem outra vida. Tem de estar em ótima forma física, mental e psicológica - observou.
Por enquanto, a autora de livros de não-ficção está terminando seu 12º. trabalho, Staging, Not Aging. Ela não faz ficção porque, como ela mesma diz "minha vida é ficção".