A Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental) multou a Shell em R$ 11.500 diários por não ter apresentado um laudo sobre a extensão da área contaminada na Vila Carioca, Zona Sul de São Paulo. O diagnóstico foi solicitado há oito meses e deveria ter sido entregue em março. No laudo deve constar a possível contaminação no solo e na água do bairro em um trecho de um quilômetro, entre o córrego dos Meninos e a avenida Carioca. Essas informações serão usadas para definir os exames médicos necessários para verificar uma possível contaminação nos moradores da região e as ações para descontaminar a área. Esta é a segunda vez que a Shell atrasa a entrega do laudo. Em março deste ano, a empresa foi multada em R$ 195.300,00 e a Cetesb exigiu que o diagnóstico fosse entregue em 30 dias. O prazo venceu na última semana e a empresa não apresentou o documento. Caso o laudo não seja entregue nos próximos 30 dias, a Cetesb pode rever a multa diária. Em nota à imprensa, a Shell afirma que tomou conhecimento da multa na tarde da última terça-feira (15). A empresa diz que já entregou às entidades interessadas o "Relatório de Avaliação Ambiental, Plano de Ação e Conceito de Remediação da Base do Ipiranga e Entorno". O documento deve ser completado pela análise de risco que, segundo a empresa, "está sendo concluída". A Shell afirma já ter solicitado à Cetesb a prorrogação do prazo. Caso Vila Carioca A suposta contaminação na Vila Carioca começou a ser investigada há dois anos. Rejeitos tóxicos depositados na Base de Abastecimento do Ipiranga (BIP) da empresa teriam contaminado alguns trechos do bairro e chegado à água, o que pode ter contaminado os moradores. A base da Shell foi construída em 1949 e conta com 38 tanques que armazenam combustíveis. De acordo com o gerente regional da Cetesb João Antônio Romano, responsável pela área, borras de substâncias tóxicas foram depositadas no solo da base logo no início das operações na área - o que na época era considerado um procedimento normal. Com as chuvas, os rejeitos teriam vazado para os quintais da rua Colorado, que fica ao lado da empresa. Um poço no condomínio Auriverde, que fica a 400 metros da Shell, teria sido contaminado pelas substâncias deodrin e aldrin, usadas na fabricação de pesticidas. A água, que estava a 120 metros da superfície, era consumida pela população. Pelos menos seis poços na região estariam contaminados e foram lacrados pela Vigilância Sanitária. Os danos só não foram maiores no local, de acordo com Romano, porque a água encanada chegou ao bairro a partir de 1975, o que impediu que os moradores tivessem um grande contato com a água supostamente contaminada. Os drins, usados na fabricação de defensivos agrícolas, também contaminaram trechos do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. Romano explica que o caso do município foi mais grave porque a população usava com maior intensidade a água do lençol freático.
Shell receberá multa diária por possível contaminação em SP
A Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental) multou a Shell em R$ 11.500 diários por não ter apresentado um laudo sobre a extensão da área contaminada na Vila Carioca, Zona Sul de São Paulo. O diagnóstico foi solicitado há oito meses e deveria ter sido entregue em março. (Leia Mais)
Quarta, 16 de Abril de 2003 às 14:01, por: CdB