Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Sharon volta a Israel em busca de sobrevivência política

Segunda, 19 de Setembro de 2005 às 07:19, por: CdB

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, prepara-se nesta segunda-feira para uma batalha pela sobrevivência política, depois de recolher os dividendos diplomáticos na Organização das Nações Unidas (ONU) pela retirada da Faixa de Gaza.

Antes de embarcar para Israel, no final do domingo, Sharon lançou um ataque aos oponentes -- liderados pelo ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - que querem retirá-lo da liderança do Likud, o partido que ele ajudou a fundar três décadas atrás.

Sharon, de 77 anos, reclamou em um discurso a representantes judeus nos EUA que perdeu "a maioria no meu próprio partido". Na semana que vem, o Comitê Central do Likud pode estabelecer o cenário para uma eleição nacional antecipada.

Ele disse que "extremistas radicais" no Likud, contrários à retirada de Gaza depois de 38 anos de ocupação militar, estão tentando forçar a convocação de eleições parlamentares, apesar de o partido não ter que passar por esse teste até o final de 2006.

Críticos da primeira remoção de assentamentos judaicos de territórios onde os palestinos querem fundar um Estado classificaram a retirada, completada há uma semana, de rendição à violência palestina.

- Há uma luta política complexa...acontecendo em Israel, porque uma minoria do país agiu contra a retirada (de Gaza) - disse Sharon em inglês.

O Comitê Central deve decidir no dia 26 de setembro se escolherá um novo líder do partido no início de novembro - data que Netanyahu prefere - ou no próximo ano, por volta de abril.

O jornal israelense Maariv publicou nesta segunda-feira uma pesquisa feita com membros do Comitê Central mostrando que 43% querem Netanyahu na liderança do partido e 39% preferem Sharon. O diário Yedioth Ahronoth apresentou uma sondagem indicando Sharon com 43% das preferências e seu adversário, com 40%.

Os problemas de Sharon levantaram especulações de que ele poderia sair do Likud e formar um novo partido de centro, com base nas pesquisas que indicam apoio da maioria dos israelenses à retirada de Gaza.

A decisão dele de falar à Assembléia Geral da ONU, considerada hostil por Israel, foi vista no país como uma tentativa de impulsionar seu apoio público.

Ao despedir-se de líderes judeus em um hotel de Nova York, Sharon lembrou que durante sua visita anterior, em maio, ele havia prometido fazer outra viagem aos EUA para relatar os eventos em Israel.

- Uma das razões para eu ter que voltar (para casa) agora...é que não quero que outra pessoa venha fazer esse relato -  brincou.

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