O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, chega na semana que vem à Índia para uma visita que, segundo a minoria muçulmana do país, pode ser parte da criação de uma aliança antiislâmica entre os dois governos. Os militares indianos esperam que a visita, que começa na segunda-feira e é a primeira de um governante de Israel, reforce os laços de defesa. É possível a assinatura de um acordo de 1 bilhão de dólares pelo qual a Índia compraria radares aéreos Phalcon de Israel.
Sharon é um político de direita, que trata com dureza a rebelião palestina. Na Índia, o governo é do partido nacionalista hindu Bharatiya Janata (BJP), envolvido em uma longa disputa com o muçulmano Paquistão por causa da guerrilha separatista na Caxemira. O israelense estará na Índia no dia 11 de setembro, uma data altamente simbólica para os dois países que se vêem, junto com os Estados Unidos, como vítimas do terrorismo.
A Índia estabeleceu relações diplomáticas com Israel em 1992, embora tenha se esforçado para manter sua tradicional amizade com países árabes. No governo do BJP, essa relação se fortaleceu, graças ao desejo do partido de melhorar os laços com os Estados Unidos e criar uma frente única contra os militantes islâmicos.
Analistas acham simplista, no entanto, qualificar essa aliança como parte do "choque de civilizações" com o mundo islâmico. "Há motivos múltiplos em jogo e, embora o elemento civilizacional esteja aqui, não é de maneira alguma o único motor", disse Varun Sahni, professor de política internacional na Universidade Jawaharlal Nehru.