Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

Sharon rompe diálogo com palestinos após atentado

Primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon descartou, nesta quinta-feira, qualquer possibilidade de prosseguir nas negociações de paz com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, até que ele "tome uma atitude séria" contra os grupos extremistas palestinos armados. A decisão acontece um dia depois do atentado terrorista, realizado por um suicida, que matou cinco civis israelenses na cidade de Hadera, cidade litorânea próxima a Tel Aviv. (Leia Mais)

Quinta, 27 de Outubro de 2005 às 13:38, por: CdB

Primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon descartou, nesta quinta-feira, qualquer possibilidade de prosseguir as negociações de paz com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, até que ele "tome uma atitude séria" contra os grupos extremistas palestinos armados. A decisão acontece um dia depois do atentado terrorista, realizado por um suicida, que matou cinco civis israelenses na cidade de Hadera.

Israelenses e palestinos remarcaram um encontro que deveria ter acontecido ainda em outubro, para o início de novembro. A reunião, cancelada por tempo indeterminado, seria a primeira entre os dois líderes desde a retirada de todas as colônias judaicas de Gaza e de outras quatro da Cisjordânia, operação finalizada em 12 de setembro passado. Na escalada de violência que se reinicia na região, o Exército israelense iniciou nesta quinta-feira uma megaofensiva em territórios palestinos na faixa de Gaza e na Cisjordânia, onde, na cidade de Jenin, um líder local do grupo extremista palestino Jihad Islâmico, que reivindicou o ataque desta quarta, foi preso nesta quinta-feira.

Na manhã desta quinta, Sharon aprovou a ofensiva, que deverá ser levada adiante até que o "terrorismo pare". Aviões israelenses bombardearam vários locais de Gaza nesta primeira etapa, principalmente aqueles que, segundo o Exército israelense, são usados como base de lançamentos dos foguetes Qassam [de fabricação caseira], lançados pelos palestinos para atacar cidades israelenses.

- Infelizmente, a ANP não realizou nenhuma ação séria para combater o terrorismo. Não vamos aceitar, sob qualquer circunstância, a continuação do terrorismo. Nossas ações serão amplas e não vão parar até que as ações terroristas sejam interrompidas - afirmou Sharon, no início de uma reunião com o ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov.

Terror

Membros dos grupos de extrema direita israelenses disseram nesta quarta que o atentado em Hadera ocorreu por causa da retirada das colônias judaicas de Gaza que, segundo eles, "teria dado um novo impulso ao terror", de acordo com o jornal israelense Haaretz, desta quinta-feira.

- Os moradores de Hadera pagaram o preço da saída de Gush Katif. Os cidadãos israelenses estão colhendo com sangue as sementes da violência plantadas pelo plano de retirada - afirmou Zevulun Olev, diretor do Partido Religioso Nacional.

Atentado

O suicida que realizou o ataque desta quarta-feira, explodiu-se em frente a um estande de falafel (comida típica árabe-judaica) localizado em uma feira na cidade de Hadera, que foi um dos principais alvos de ataques palestinos em território israelense desde o início da Segunda Intifada, a guerra popular palestina contra a ocupação israelense, em 2000. Segundo a polícia, cinco pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas.

Abbas condenou o atentado e prometeu "tentar salvar" o acordo de paz feito entre ele e Sharon.

- Isso prejudica os interesses dos palestinos e leva à expansão do ciclo de violência - afirmou.

Por meio de uma ligação anônima, uma pessoa que se identificou como sendo membro do Jihad Islâmico afirmou que o atentado era uma "vingança" contra o assassinato de Luai Saadi, comandante do grupo, morto em um tiroteio travado com soldados israelenses em Tulkarem, na Cisjordânia. Em resposta, os militantes tinham prometido vingar-se. Desde o início desta semana, dezenas de foguetes Qassam [de fabricação caseira] foram lançados contra cidades israelenses, o que provocou uma resposta do Exército. Militares israelenses realizaram nesta quarta-feira uma ofensiva a nordeste de Gaza.

Esta quarta-feira também marcava o aniversário de dez anos da morte de um outro líder do Jihad Islâmico, Fathi Shekaki em Malta, durante uma suposta ação israelense.

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