O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse nesta terça-feira que a "selvageria" dos judeus ultranacionalistas que se opõem à desocupação da Faixa de Gaza representa uma ameaça à democracia israelense e será combatida.
Ele se referia aos militantes de direita que criaram um novo posto avançado em um assentamento da Faixa de Gaza, depois de entrarem em confronto com os militares que demoliam casas abandonadas que estavam sendo preparadas para serem reformadas e funcionarem como bastiões de resistência contra a desocupação, prevista para agosto.
Segundo as pesquisas, a maioria dos israelenses defende a desocupação dos 21 assentamentos da Faixa de Gaza e de 4 dos 120 da Cisjordânia. Mas a direita quer impedir isso, por considerar que a devolução "agrada ao terrorismo palestino".
Sharon disse em discurso a uma convenção sobre imigração judaica que a desocupação é a melhor forma de garantir a futura segurança de Israel. Os EUA consideram-na um passo importante para a retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos.
- Estou bastante ciente das tentativas de uma pequena minoria de violadores da lei, como vimos no litoral do assentamento de Gush Katif, que desejam usar a força contra o Exército israelense e outras forças de segurança. Esta minoria não representa o coletivo dos colonos. Devemos lembrar que o apelo à desobediência e as tentativas de atrapalhar a vida dos israelenses ameaça a existência de Israel como uma nação judaica e democrática - afirmou Sharon.
- Devemos todos, independentemente do nosso credo, nos opor a isso. E acredito que as autoridades vão tomar as medidas necessárias para impedir essa selvageria - disse Sharon, aplaudido.
Ativistas contrários à desocupação, alguns deles colonos, vêm fazendo uma campanha cada vez mais inflamada, o que divide os israelenses e já provocou ameaças de morte dos ultra-direitistas contra Sharon.
No fim da tarde desta segunda-feira, milhares de carros pararam nos acostamentos das principais estradas do país no maior protesto até agora contra a desocupação.
Horas antes, 30 nacionalistas haviam começado a ocupar uma casa de veraneio abandonada às margens do Mediterrâneo, junto a Gush Katif. Perto dali ficam as ruínas de 11 casas demolidas pelos militares no domingo.
A demolição provocou confrontos entre os soldados e direitistas religiosos, principalmente jovens. Um soldado foi preso por se recusar a participar da operação.
Foi uma prévia da confusão que pode acontecer quando a retirada começar de fato. Autoridades israelenses estão preocupadas com o recente afluxo de judeus para os enclaves da Faixa de Gaza, onde vivem 8.500 colonos. Elas temem que os recém-chegados impeçam a desocupação e provoquem violência.
Sharon disse na convenção da Agência Judaica que o objetivo sionista de garantir uma pátria para os judeus depende não só da imigração, mas do estabelecimento de fronteiras realistas para uma maioria judaica.
-É óbvio que não temos a capacidade de garantir uma maioria judaica em todas as áreas - disse ele, referindo-se à Faixa de Gaza e a partes da Cisjordânia, territórios capturados por Israel na guerra de 1967.
- O que temos é a capacidade de realizar uma parte importante do sonho - afirmou Sharon, argumentando que foi isso que levou o governo a aprovar a desocupação no Parlamento, após meses de acirrado debate.
Ele reiterou que Gaza, onde há 1,3 milhão de palestinos, nunca teria maioria judaica ou seria incorporada a Israel sob qualquer acordo viável de paz com os palestinos.
Por isso, de acordo com Sharon, Israel prefere se apegar "às áreas mais importantes para garantir nossa existência", o que significa manter vários assentamentos da Cisjordânia, que são maiores que os de Gaza, além da parte leste de Jerusalém.
Os palestinos estão contentes com a devolução de Gaza, mas temem que ela sirva de pretexto para que Israel a