Três importantes ministros rejeitaram o apelo do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, para pedir apoio a seu plano de retirada de Gaza no referendo do seu partido, disseram nesta segunda-feira fontes políticas.
Em um golpe para Sharon, o ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu, das Relações Exteriores, Silvan Shalom, e da Educação, Limor Livnat, pesos-pesados no direitista Likud, recusaram-se a fazer campanha a favor do plano, que apoiaram de maneira relutante.
Um confidente previu que Sharon, lutando para acabar com a erosão no apoio ao plano a ser votado pelo Likud no próximo domingo, se vingará politicamente dos que se recusaram a ajudá-lo. ``Sharon não esquece'', disse a fonte.
A mais recente pesquisa de opinião indica que a aprovação ao plano de Sharon, que pede a retirada de todos os assentamentos da Faixa de Gaza e de quatro dos 120 da Cisjordânia, está longe de estar garantida no Likud, que tem tradição pró-colonos.
Uma pesquisa publicada na última sexta-feira no jornal Yedioth Ahronoth mostrou 49% dos 200 mil membros do partido a favor e 39,5 contra. Uma derrota em seu próprio partido seria um duro revés para Sharon.
Mas ele já abandonou as promessas de agir de acordo com a votação e deu sinais de que apresentará o plano ao Parlamento - onde suas chances de sucesso são maiores - mesmo se perder no referendo.
Sharon afirma que uma retirada de Gaza melhoraria a segurança de Israel após três anos e meio de luta com os palestinos, mas muitos integrantes do Likud são contra a devolução de qualquer porção dos territórios capturados na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Os palestinos vêem o plano como desculpa para anexar mais territórios onde querem formar um Estado.
``Fiz mais do que o suficiente'', declarou neste domingo Netanyahu, maior rival de Sharon, segundo um assessor. Netanyahu, ex-primeiro-ministro, é considerado um possível sucessor de Sharon como chefe do Likud caso o atual premiê deixe o cargo devido a escândalos de corrupção. Sharon nega irregularidades.
Netanyahu, Shalom e Livnat manifestaram apoio ao plano de Sharon após a bênção do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, neste mês. Mas, em meio a sinais de queda de apoio, eles rejeitaram os apelos de Sharon por campanha.
``Seus motivos são muito transparentes: eles acreditam, pelo menos alguns deles, que Sharon vai perder no referendo de 2 de maio no Likud, e eles não querem seus nomes ligados ao fiasco'', disse o comentarista do jornal Haaretz Yossi Verter.
Com dois parceiros de ultradireita da coalizão de Sharon ameaçando sair do governo caso o gabinete aprove a retirada de Gaza, o partido Trabalhista, de centro-esquerda, poderia entrar para um governo de unidade nacional.
O confidente de Sharon disse que uma mudança de gabinete poderia oferecer a ele a chance de remover os três ministros dos cargos.