Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Sharon ganha apoio de Peres para a retirada de Gaza

Segunda, 12 de Julho de 2004 às 07:33, por: CdB

O líder da oposição de Israel, Shimon Peres, concordou nesta segunda-feira em trabalhar com o primeiro-ministro de direita, Ariel Sharon, para levar adiante o plano de retirada de Gaza e manter contatos para a formação de uma coalizão governamental, disseram fontes políticas.

Sharon, de 76 anos, precisa de Peres, de 80, para fortalecer um governo que perdeu sua maioria no Parlamento no mês passado, depois que o primeiro-ministro demitiu dois membros do gabinete de ultradireita para ganhar aprovação ao seu plano de retirada de Gaza.

Peres, que retomou a liderança dos Trabalhistas depois do fraco desempenho do partido na eleição geral de 2003, quer influenciar a política nacional, e parece estar de olho em uma volta ao seu antigo cargo de chanceler.

"Sharon sente-se mais próximo politicamente de Peres do que de vário colegas do Likud e, apesar da fricção periódica entre os dois, Sharon acredita que trabalhará com facilidade com Peres se o veterano do Partido Trabalhista tornar-se ministro das Relações Exteriores", escreveu o comentarista Aluf Benn no jornal "Ha'aretz".

Poucos comentaristas esperam que as negociações terminem antes do início do recesso de verão do Parlamento, que começa no fim deste mês até setembro. Mas a visão em Israel é a de que Peres voltará a ser chanceler, cargo que ocupou no governo de união entre 2001 e 2003.

Os dois veteranos concordaram nesta segunda-feira em levar adiante o plano de retirada de Gaza e manter contatos para a formação de um governo de união. Os debates entre os mais experientes políticos de Israel estão em estágio inicial, disseram as fontes. As negociações sobre cargos em um governo de coalizão não começaram.

- Eles concordaram em apoiar o plano de Gaza - disse uma fonte graduada. -Peres disse que ainda precisa de um mandado do partido se os trabalhistas forem aderir ao governo.

Peres, que há muito tempo propõe a retirada israelense de Gaza, saiu sorrindo de um café-da-manhã com Sharon, mas não fez comentários.

Como preço para entrar na coalizão, Peres, ganhador do Nobel da Paz, exigiu uma retirada mais rápida e também negociações com palestinos. O plano de Sharon prevê a retirada até o fim de 2005.

Mas fontes próximas dizem que outro obstáculo para a adesão do governo seria o desejo de Peres de voltar ao Ministério do Exterior, mas demissão do atual ministro, Silvan Shalon, poderia fortalecer a oposição a Sharon no seu partido, o Likud.

O gabinete de Israel aprovou o plano de retirada depois que Sharon demitiu dois ministros de ultradireita, mas isso custou ao ex-general a maioria no Parlamento. A maior parte dos israelenses apóia o plano de saída de Gaza, onde 7.500 colonos vivem em enclaves fortemente vigiados em meio a 1,3 milhão de palestinos.

A violência cresceu em Gaza desde que Sharon apresentou seu plano, no início do ano. Na manhã desta segunda-feira, tanques e escavadeiras entraram na cidade de Khan Younis para demolir posições de disparos de morteiros e foguetes, disse o Exército.

Médicos palestinos afirmaram que um paraplégico de 70 anos de idade morreu quando sua casa foi demolida, mas o Exército disse que derrubou estruturas incompletas, e não prédios habitados. 

A amizade entre os dois tem décadas, pois os dois têm raízes políticas no partido Mapai, que foi liderado por David Ben-Gurion, primeiro primeiro-ministro de Israel. Ambos estavam na criação do Estado de Israel, em 1948.

Sharon deixou a carreira de general e entrou no Likud em 1977, ano em que o partido Trabalhista, sucessor do Mapai, deixou o poder após 29 anos. Peres, que foi chanceler no governo de Yitzhak Rabin, ganhou reputação como pacifista por ter orquestrado os acordos de paz com os palestinos no início dos anos 1990. Sharon foi contra os acordos.

Mas eles estão unidos na condenação ao presidente palestino, Yasser Arafat, e no plano de retirada de Gaza.

Em discurso em

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