O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, líder do Partido populista Likud, de direita, assegurou neste domingo a participação de seus adversários do Partido Trabalhista em uma coalizão de governo, que será apresentada na próxima quinta-feira ao Parlamento (Knesset).
O acordo com os representantes do líder trabalhista Shimon Peres, cujas funções no Conselho de Ministros não se definiram ainda, foi conseguido esta madrugada entre negociadores e advogados das duas principais formações políticas do país.
Sharon, de 76 anos, e Peres, de 80, vão se reunir hoje a sós para precisar as funções que terá o veterano estadista trabalhista, o que era objeto de receio entre os correligionários do chefe do governo, sobretudo entre os mais próximos ao ministro de Assuntos Exteriores, Silvan Shalom, do Likud.
Por enquanto, seus representantes acertaram que Peres seria um "segundo vice-primeiro-ministro", figura que requer emendar a lei básica do governo, algo ao qual são reticentes os deputados do Likud, que de má vontade tiveram que admitir a fusão com os trabalhistas para evitar uma convocação antecipada de eleições.
Sharon governa atualmente com o único respaldo - e não sempre total devido a divergências por sua política respeito ao problema palestino - dos legisladores do Likud, 40 entre os 120 da Câmara Legislativa, enquanto os trabalhistas são 22.
Outro que se somará à coalizão é o Partido Judaísmo da Bíblia, da minoria judia fundamentalista, após um longo acordo pelo qual receberá contribuições do Estado (algo que os ortodoxos não reconhecem por razões ideológicas) para suas instituições e sua comunidade, que chegarão a aproximadamente 70 milhões de dólares.
Por causa desse acordo para ampliar sua base parlamentar, Sharon perdeu há três semanas seus sócios do Partido anticlerical de centro Shinui, cujo centro de eleitores está na classe média, e que nas últimas eleições conseguiu 15 cadeiras.
Os trabalhistas terão sob sua responsabilidade cinco ministérios: Interior, Infra-estrutura, Comunicações, Casa e Meio Ambiente. Além disso, haverá outros dois ministros sem pasta.
No total, o novo e terceiro Governo de Sharon, que está desde fevereiro de 2001 no poder, contará com 23 ministros. Os do Partido do Judaísmo da Bíblia contarão com a presidência da Comissão Parlamentar de Finanças.
O objetivo declarado de Peres é apoiar Sharon em sua iniciativa para a evacuação dos assentamentos judaicos e a retirada do exército do território palestino ocupado de Gaza.
Até a próxima quinta-feira, quando pedirá o correspondente voto de confiança ao Knesset, Sharon também poderia pactuar com outra formação da minoria ortodoxa, o Shas, com oito cadeiras.