Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2026

Sharon endurece posição para libertar palestinos presos

Domingo, 08 de Maio de 2005 às 10:37, por: CdB

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, recusou-se a libertar mais prisioneiros palestinos até que a Autoridade Palestina atue contra os militantes, endurecendo sua posição em relação ao presidente Mahmoud Abbas.

"Todo mundo me pede para fortalecer Abu Mazzen, mas eu digo que não às custas de vidas israelenses", disse Sharon ao gabinete segundo uma autoridade do governo, usando o nome popular de Abbas.

Israel libertou 500 prisioneiros palestinos em 21 de fevereiro como parte da promessa de soltar 900 prisioneiros num gesto de boa vontade em relação ao moderado Abbas, que declarou um cessar-fogo ao lado de Sharon em Sharm el-Sheikh, no Egito, em 8 de fevereiro.

Mas em declarações feitas antes da reunião de nível ministerial com palestinos programada para este domingo sobre prisioneiros, Sharon estabeleceu novas condições para libertar os 400 prisioneiros, que deveriam ser soltos em breve.

"Vamos ser claros, não haverá libertação de prisioneiros antes que sejam adotadas medidas contra o terrorismo", afirmou Sharon, ainda de acordo com a autoridade do governo.
"Os palestinos não estão fazendo nada sobre esse assunto. Seria um erro de primeira ordem fazer até mesmo a menor concessão sobre segurança. Não podemos dar a oportunidade para que façam uma campanha contínua de fogo em direção a comunidades judaicas."

Assentamentos de Gaza e comunidades no sul de Israel vêm sofrendo ataques esporádicos de foguetes e morteiros de militantes, que não concordam com a trégua ou dizem que estão retaliando ataques israelenses.

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, disse que os comentários de Sharon mostram que Israel congelou a implementação das medidas para construir confiança depois do acordo de Sharm el-Sheikh.

"Está claro que a única coisa que não está congelada é a continuidade das atividades dos assentamentos, do muro (da Cisjordânia) e o não cumprimento do fim da violência", disse Erekat à Reuters.

"Algo precisa ser feito, e desta vez por fatos, e não por meras palavras, a fim de parar a deterioração."

Há cerca de 8 mil palestinos em prisões israelenses. Eles são considerados pela sociedade palestina como heróis da resistência contra a ocupação.

Tags:
Edições digital e impressa