Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Sharon diz que plano de Gaza não será revisto

Segunda, 26 de Julho de 2004 às 05:59, por: CdB

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que não retrocederia em seu plano de retirada da Faixa de Gaza, mesmo depois de 100 mil israelenses terem realizado o maior protesto, até agora, contra a desocupação dos assentamentos. "Decidi dar continuidade ao plano de desengajamento porque ficou claro que Israel não poderá manter o controle da Faixa de Gaza para sempre", afirmou o premiê, segundo seu gabinete.

Mas Sharon ainda se depara com mais oposição de ministros vindos do Likud (o mesmo partido dele), que lideraram a manifestação realizada no domingo à noite contra a tentativa do premiê de criar um governo de coalizão com o partido Trabalhista (oposição) para implementar o plano de retirada.

O dirigente disse a oficiais das Forças Armadas no domingo que ele não pretende "voltar atrás com relação ao plano, em vista da grave e perigosa situação econômica e de segurança em que Israel se encontraria", afirmou o gabinete de governo nesta segunda-feira. Sharon deu essas declarações durante um dia de protestos no qual colonos e seus aliados de direita formaram uma corrente humana que ligou Jerusalém à Faixa de Gaza.

A manifestação é mais um sinal dos obstáculos que o premiê terá de superar para implementar o plano de "desengajamento" aprovado pelos EUA e que prevê a desocupação dos 21 assentamentos da Faixa de Gaza e de quatro dos 120 construídos na Cisjordânia. O plano seria concluído no final de 2005.

Sharon, antes considerado um dos maiores defensores do movimento de colonos, não conseguiu que o Likud desse apoio ao plano, apesar de ter obtido o apoio do seu gabinete de governo, no começo de junho.

Os palestinos receberam bem o plano de retirada, mas temem que a medida unilateral apenas fortaleça a presença de Israel em grandes áreas da Cisjordânia.  Pesquisas de opinião mostram que a maior parte dos israelenses concorda com a saída da Faixa de Gaza.

Em uma manobra que visa aparentemente agradar aos colonos, Sharon prometeu criar uma comissão para analisar os pedidos de assentamentos por mais dinheiro e por mais permissões de construção.

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