O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, demitiu nesta sexta-feira dois ministros de extrema direita, assegurando dessa forma a maioria do gabinete para aprovar a desocupação de Gaza, apesar do risco de uma crise política que pode até derrubar o seu governo
Sharon dispensou Benny Elon e Avigdor Lieberman, do partido União Nacional, ligado aos colonos judeus e adversário da desocupação. Caso os dois permanecessem no gabinete, Sharon teria de atenuar seu plano ou poderia enfrentar uma derrota na votação de domingo, segundo fontes políticas.
Sem eles, o primeiro-ministro consegue uma ligeira vantagem a favor do seu plano para abandonar em quatro etapas 21 assentamentos na Faixa de Gaza e 4 dos 120 na Cisjordânia até o final de 2005.
A decisão de Sharon foi tomada depois de fracassarem as negociações em torno de um acordo conciliatório com o ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu e com outros membros rebeldes do seu partido, o Likud (de direita), que se opõem à devolução de qualquer dos territórios conquistados em 1967.
As pesquisas mostram que a maioria dos israelenses é a favor de abandonar a Faixa de Gaza, onde 7.500 colonos vivem em assentamentos de difícil defesa, em meio a 1,3 milhão de palestinos. Mas os filiados do Likud rejeitaram a proposta em um referendo interno há um mês, por considerar que a devolução de Gaza seria um prêmio ao "terror" palestino.
Uma fonte próxima a Sharon disse que ainda há chances de que as diferenças sejam resolvidas na última hora, antes da votação de domingo no governo. As demissões só serão formalizadas 48 horas após o anúncio.
Mas não há sinais de novas negociações. "Não ignoro as tentativas de chegar a um acordo, mas havia coisas nas quais eu não poderia ceder e não cedi", disse Sharon ao jornal Haaretz. "Preciso da maioria no domingo".
Sharon inicialmente convocou os dois ministros ao seu gabinete para demiti-los. Como eles não compareceram, a medida foi tomada por meio de cartas, de acordo com fontes políticas.
Elon, ministro do Turismo, acusou Sharon de "criar uma maioria artificial". Lieberman, dos Transportes, recebeu a notícia da demissão quando fazia ginástica em uma academia de Jerusalém, segundo a Rádio do Exército. Seus assessores qualificaram as demissões de "antidemocráticas". Antes da demissão, Sharon tinha 11 ministros a seu favor e 12 contra. Agora, tem vantagem de um voto.
O destino do governo agora está nas mãos de um outro pequeno partido ultranacionalista, o Partido Nacional Religioso, também ligado aos colonos e que ameaça deixar o governo, junto com o União Nacional, se o plano para Gaza for aprovado.
Isso deixaria Sharon sem maioria no Parlamento e o levaria a reformular o governo, abrindo a possibilidade de uma parceria de "união nacional" com o centro-esquerdista Partido Trabalhista, ou então o obrigaria a convocar eleições antecipadas. Um confidente de Sharon disse que ele pretende evitar esta última opção.
Fontes do Partido Nacional Religioso reclamaram das demissões, mas não indicaram quais são suas intenções agora, embora admitam que há contatos de Sharon para que esse partido também deixe o gabinete.
As negociações por um acordo fracassaram na quinta-feira porque os radicais insistiam em que os colonos de Gaza continuassem recebendo financiamento para construções mesmo depois da aprovação do plano.
Sharon e os ministros dissidentes trabalhavam em torno de uma proposta que aprovaria a retirada "em princípio", mas adiaria uma decisão definitiva por entre seis e nove meses.
Mas Sharon - que já cancelou a votação no domingo passado, diante da derrota iminente - agora parece ter certeza da aprovação do plano, que conta com aval dos EUA.
Cada estágio deve estar condicionado a uma votação em separado do gabinete, mas o cronograma para a implantação do plano ainda não está claro.
Os palestinos aprovam a desocupação de qualquer de seus