Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Sharon dá sinal verde para Exército diante de violência em Gaza

Domingo, 17 de Julho de 2005 às 09:00, por: CdB

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, deu neste domingo "sinal verde" para Forças Armadas, que têm 4.000 efetivos ao norte e ao sul de Gaza, para que adotem todas as medidas necessárias contra os terroristas palestinos "sem nenhuma restrição".

O chefe do Governo começou com esta decisão a reunião semanal do Gabinete Nacional após a queda no povoado israelense de Sderot de mais de 40 mísseis Qassam, que milicianos do braço armado da Resistência Islâmica (Hamas) costumam disparar.

Segundo fontes militares citadas pela rádio pública, Israel vai atuar por meio de operações por terra, já ordenadas pelo ministro da Defesa, Shaul Mofaz.

O agravamento da situação, que mobilizou os Estados Unidos e o Egito, ocorre a menos de um mês da retirada da Faixa de Gaza e da desocupação de 8.000 colonos judeus.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, deve chegar terça-feira à região, e o subcomandante dos Serviços Secretos do Egito, Mohammed Bojeiri, era esperado hoje pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas (Abu Mazen), na Cidade de Gaza.

"Nós estamos dispostos a um acordo político com os palestinos, mas não podemos continuar com o terrorismo em nossas fronteiras", afirmou Sharon, que terá de atender a "duas frentes de batalha", uma com os palestinos e outra com os colonos de Gaza.

Abbas, que lançou na quinta-feira os organismos palestinos de segurança contra seus adversários políticos da resistência islâmica, esta entre a ameaça israelense e a incompreensão destas facções.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) pediu aos milicianos que cessem seus ataques, pois estes "atentam contra a pureza da luta palestina e ameaçam a unidade do povo palestino", em alusão à batalha política pela independência e ao risco de uma guerra fratricida.

Os israelenses vêem na crise "uma prova do fracasso de Abbas, que acha que por meio das negociações conseguirá neutralizar os terroristas", com os quais tinha estabelecido em janeiro um "período de trégua".

Em resposta a este compromisso, Sharon ordenou em fevereiro o fim de "todas as operações militares" na Cisjordânia e em Gaza.

Desde a quinta-feira passada três palestinos morreram e cerca de 30 ficaram feridos em enfrentamentos entre milicianos e forças de segurança de Abbas, que advertiu ontem à noite pela televisão que "não tolerará a anarquia".

A maioria dos ministros israelenses, segundo a rádio pública, apóia uma invasão militar de Gaza, pois "não se pode esperar mais", já que "a vida de nossos filhos está em jogo", segundo o ministro de Saúde Pública, Dani Nave.

Um franco-atirador matou hoje um chefe do Hamas na cidade de Khan Yunes, em frente ao assentamento de Nevé Dekalim, e efetivos do Exército detiveram hoje 15 palestinos na Cisjordânia.

Os fundamentalistas do Hamas lançaram mais de 110 mísseis Qassam e bombas contra povoados israelenses como o de Sderot e assentamentos judaicos de Gaza desde que começou esta nova crise de violência na terça-feira.

Um sexto israelense, uma mulher de 24 anos, filha de um brasileiro, morreu num ataque do Hamas na quinta-feira em uma cooperativa rural.

Após dez meses, Israel voltou aos "assassinatos seletivos" e na sexta-feira matou seis milicianos do Hamas em Gaza e Cisjordânia.

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