Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Sharon convida trabalhistas para o governo

Sexta, 10 de Dezembro de 2004 às 06:35, por: CdB

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, convidou nesta sexta-feira o Partido Trabalhista, de oposição, para negociar a formação de um governo de união nacional, o que evitará a antecipação de eleições e abre caminho para a desocupação da Faixa de Gaza.

Sharon telefonou para o líder trabalhista, Shimon Peres, depois de receber autorização do Comitê Central do seu partido, o Likud, para negociar um novo governo. Uma parte do Likud é contra a devolução de territórios conquistados na guerra de 1967 e se opôs à coalizão com os trabalhistas como forma de evitá-la.

As negociações devem começar no domingo.

- É uma conclusão já antecipada. Vai levar de 10 dias a duas semanas para formar um governo - disse Sharon, confiante.

Sem o apoio trabalhista, Sharon não teria os votos necessários no Parlamento para aprovar seu projeto de desocupação de todos os 21 assentamentos judaicos da Faixa de Gaza e de quatro dos 120 da Cisjordânia, até o final de 2005.

As pesquisas mostram que a maioria dos israelenses é favorável a isso, apesar da resistência de alguns radicais do Likud, que consideram a desocupação uma "recompensa ao terrorismo".
Muitos palestinos temem que a proposta seja um pretexto de Israel para consolidar seu domínio sobre a Cisjordânia.

Na semana passada, Sharon rompeu com o partido laico Shinui, que votou contra o Orçamento, e por isso ficou com apenas 40 das 120 cadeiras do Parlamento. Com os 22 deputados trabalhistas, o governo voltaria a ter maioria. Se o Orçamento não for aprovado até março, novas eleições serão automaticamente convocadas.

Peres e a maioria dos líderes trabalhistas estão interessados em participar do governo, mas diferenças internas e disputas por ministérios podem retardar a adesão. O fato de o Likud também ter aprovado negociações com dois partidos religiosos é outro fator que pode complicar a situação.

- Estou lutando para obter um governo de unidade nacional. Todo o resto é trivial - disse Peres.

Não é a primeira vez que o trabalhista Peres, de 81 anos, Prêmio Nobel da Paz, e o ex-general Sharon, 76, fazem esse tipo de aliança.Peres foi chanceler no governo de união nacional liderado por Sharon entre 2001 e 2002.

Desta vez, o primeiro-ministro deve manter os ministérios mais importantes nas mãos do Likud, mas oferecendo a Peres o cargo de vice-premier, com participação no processo de desocupação dos territórios, segundo fontes políticas. 

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