Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Sharon aposta futuro político no plano de Gaza

Quinta, 29 de Abril de 2004 às 05:24, por: CdB

Uma votação no próximo domingo do partido Likud, do premiê israelense Ariel Sharon, vai determinar se a estratégia do general de promover seu plano de retirada unilateral da Faixa de Gaza e de quatro dos 120 assentamentos na Cisjordânia teve sucesso.

Resultado de pesquisas de opinião divulgado nesta quinta-feira mostraram uma crescente tendência ao "não" entre os 193 mil membros do direitista Likud. Para Sharon, a votação será um voto de confiança em sua liderança.

"Não se pode ser a favor de mim e contra o plano que defendo. Quem quer que acredite em mim, deve votar pelo plano", afirmou ele à Rádio do Exército.

Sharon descreve a retirada como "separação" dos palestinos, medida que, segundo ele, vai melhorar a segurança de Israel por abandonar áreas de difícil defesa, onde vivem 7.500 colonos. Ele declarou nunca ter tido a intenção de manter o controle dessas áreas em acordos de paz.

Apelidado de "Escavadeira" por sua defesa em governos anteriores da construção de assentamentos em terras onde palestinos querem criar um Estado, Sharon deu passos em direção ao que colonos consideram uma traição.

Primeiro ele prometeu, em fevereiro de 2001, fazer "concessões dolorosas para a paz", palavras que seus críticos na política israelense viram como frase feita para atrair apoio, mas que assessores de Sharon insistiram ser verdadeiras.

Em maio passado, Sharon surpreendeu amigos e adversários ao definir o controle militar de Israel sobre os palestinos como "ocupação". Dias depois, participou de um encontro de paz com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e com o então primeiro-ministro palestino Mahmoud Abbas na Jordânia, e adotaram um plano que levaria à criação de um Estado palestino até 2005, mas que ficou paralisado em meio à violência.

Mas foi o amigo pessoal e adversário político Shimon Peres quem parece ter ajudado a dar início à retirada de Gaza. "Sei que Arik é um homem sábio e eu lhe disse: Arik, você sabe que não temos futuro na Faixa de Gaza. Você sabe disso bem fundo no seu coração - não tem outro jeito", contou Peres, usando o apelido de Sharon, em discurso em seu aniversário de 80 anos em setembro.

Três meses depois, Sharon disse que Israel tomaria medidas unilaterais de separação dos palestinos caso plano de paz fracassasse. E no último dia 14 de abril, em entrevista coletiva na Casa Branca, Sharon formalmente comprometeu Israel a retirar os colonos de Gaza, recebendo "garantias" dos EUA para atrair apoio público e do Likud ao plano.

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