Primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon anunciou nesta segunda-feira que vai prosseguir com a construção da "barreira de segurança" na Cisjordânia, um território que segundo ele, continuará a ser "colonizado", a despeito das reivindicações palestinas pela região, que é considerada pelo governo palestino parte do futuro Estado. As declarações foram feitas por Sharon durante o pronunciamento realizado no parlamento israelense, o Knesset. O primeiro-ministro também afirmou que a construção do muro não será mais interrompida "por limitações de orçamento ou políticas".
Sharon também afirmou que os últimos dias "foram lembretes dos perigos da região", em referência ao atentado suicida ocorrido na quarta-feira, e realizado por um palestino de 20 anos, morador da Cisjordânia, que matou cinco civis israelenses. Apesar disso, o primeiro-ministro afirmou o seu apoio ao plano de paz elaborado pelo Quarteto (EUA, União Européia, Rússia e ONU) prevê a criação de um Estado palestino e o congelamento de qualquer construção israelense em colônias localizadas na Cisjordânia.
'Barreira antiterrorista'
O governo israelense aprovou em julho passado o projeto de construção do muro de separação ao redor de Jerusalém Oriental - que também é reivindicada pelos palestinos, para ser a capital do futuro Estado - que deve ser concluído nos próximos meses. O muro passará por dois bairros palestinos que serão em parte anexados e ocupados pelo Estado israelense, deixando um quarto de toda a população árabe, ou seja, 55 mil residentes de Jerusalém Oriental completamente isolados no lado oriental (palestino).
O muro, que segundo Israel é uma "barreira antiterrorista", estende-se por mais de 650 quilômetros e é chamado de "muro do apartheid" pelos palestinos. Por seu traçado, anexa grandes porções do território árabe na Cisjordânia e torna impraticável a criação de um Estado palestino viável. De acordo com um veredicto de 9 de julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) declarou ilegal a construção deste muro e exigiu seu desmantelamento. A mesma atitude foi adotada pela Assembléia Geral da ONU. Ambas as exigências foram ignoradas por Israel.
Sem ajuda
Doadores internacionais ameaçaram o governo palestino de suspender a ajuda concedida à Autoridade Nacional Palestina (ANP), caso os custos dos salários pagos aos funcionários aos funcionários públicos não diminuam, informou o ministro palestino das Finanças, Salam Fayyad, nesta segunda-feira. A movimentação acontece no mesmo momento em que a ANP enfrenta uma grande pressão sobre como governa a faixa de Gaza, desocupada pelos colonos israelenses no mês passado, e que teve toda a sua segurança transferida para as mãos dos palestinos.
- Fomos avisados de que não mais poderemos contar com um ajuda adicional para complementação do Orçamento, que nos era fornecido pelo fundo administrado pelo Banco Mundial - afirmou o ministro.
Fayyad não detalhou os valores gastos pelo governo palestino, e apenas disse que o fundo forneceu US$ 230 milhões à ANP no ano passado. Doadores internacionais provêem US$ 25 milhões por mês ao fundo.