O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, anunciou nesta segunda-feira que pretende desativar quase todos os assentamentos judaicos na Faixa de Gaza. A informação surpreendeu os adversários do premiê.
"Dei ordem para que se planeje a retirada de 17 assentamentos na Faixa de Gaza", disse o primeiro-ministro direitista ao jornal Haaretz. "Estou trabalhando com a premissa de que no futuro não haverá judeus em Gaza."
Sharon, que no passado era considerado o padrinho dos colonos judaicos, disse mais tarde ao seu partido, o Likud, que a proposta que ele levará a Washington neste mês também inclui a remoção de vários assentamentos menores na Cisjordânia.
Mas ele não estabeleceu um cronograma para a desativação dos assentamentos, um dos pontos mais delicados no conflito com os palestinos. É a primeira vez que Sharon revela planos tão abrangentes para a desocupação dos territórios ocupados por Israel em 1967. O anúncio provocou uma reação imediata dos colonos e de seus simpatizantes. "Estou chocado", disse o parlamentar Yehiel Hazan (Likud).
Linha de segurança
O anúncio demonstra aos Estados Unidos que Sharon está levando a sério a sua estratégia de abandonar alguns assentamentos isolados e de traçar uma "linha de segurança" em torno de outros, absorvendo dessa forma parte do território que os palestinos reivindicam. "Normalmente, quando o governo israelense fala em abandonar assentamentos, ele visa apenas a relações públicas", disse o ministro palestino Saeb Erekat. "Se Israel quer deixar Gaza, nenhum palestino vai se opor."
O surpreendente anúncio acontece em meio a uma nova onda de violência na região, que ameaça ainda mais o futuro do plano de paz norte-americano. Mas, apesar disso, o primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, disse que está preparando a sua primeira reunião com Sharon desde que o novo gabinete palestino assumiu em novembro.
Qurie falou pouco antes de a entrevista de Sharon aparecer na página Web do Haaretz. Nessa entrevista, o premiê se referiu aos assentamentos de Gaza como um "problema". Seu plano prevê a permanência de apenas dois ou três encraves nos 360 quilômetros quadrados da Faixa de Gaza, onde mais de 1 milhão de palestinos vivem na pobreza.
Pesquisas de opinião mostram que a ampla maioria dos israelenses está disposta a abandonar os assentamentos de Gaza. A maior concentração de colonos judeus está nos mais de 120 assentamentos da Cisjordânia. "O primeiro-ministro pretende ir a Washington com uma oferta para remover grandes parcelas de assentamentos em Gaza e menores parcelas na Cisjordânia", disse o parlamentar do Likud Michael Eitan.
Na entrevista ao Haaretz, Sharon afirmou que seu plano "tem de ser feito com concordância e apoio norte-americanos". "Estamos conversando com uma população de 7.500 colonos. Não é uma questão simples. Estamos falando de milhares de quilômetros quadrados de estufas, fábricas e unidades de embalagem", afirmou. "A primeira coisa é pedir seu aval, atingir um acordo com os moradores".
Um porta-voz dos colonos de Gaza se referiu ao anúncio de Sharon como "miserável" e prometeu um empenho dos nacionalistas para "abreviar o mandato de Sharon por vias legais".
Nesta segunda-feira, um militante palestino que havia perdido as duas pernas e um braço há um ano, vítima do disparo de um tanque, resistiu à prisão na Faixa de Gaza e acabou sendo morto por soldados israelenses, junto com três outros homens armados.