Os fãs na frente do Hotel Savoy de Londres nas primeiras horas da manhã, segurando cadernos de autógrafos e câmeras, demonstram tudo. Era 1h30 da manhã e fanáticos de todas as idades esperavam para ver Maria Sharapova.
A russa, campeã em Wimbledon, evoca paixão extrema. Aos 17 anos de idade, a tenista criou uma onda de interesse pelo tênis, o que estava fazendo falta nos últimos anos.
Desde Bjorn Borg não havia tanta histeria ao redor de um jogador de tênis. Nem mesmo Anna Kournikova provocou tanta paixão ao entrar em cena. Ter boa aparência é uma coisa, mas Sharapova também joga bem. Extremamente bem.
Ela não só ganhou o torneio de mais prestígio do mundo com um tênis da melhor qualidade, como também salvou a temporada feminina, que sente desesperadamente a falta de Justine Henin-Hardenne e Kim Clijsters.
Sharapova não teve moleza no torneio. Teve que vencer a campeã de 1999, Lindsay Davenport, na semifinal e a bicampeã Serena Williams para conquistar o título.
Sua vitória sobre Williams demonstra sua determinação e controle dos nervos. "Não me lembro muito da final", disse Sharapova. "Eu estava no meu lugar."
Sharapova já está sendo identificada por patrocinadores como a melhor mulher para marketing no esporte.
Na Rússia ela é a sensação das notícias. Está nas manchetes e recebeu um telefonema do ex-presidente Boris Yeltsin após o triunfo.
Sua vitória por 6-1 e 6-4 foi incrível. Foi a pior derrota sofrida por Williams em 210 partidas, desde março de 2000, quando perdeu para Mary Pierce por 6-2 e 6-1.
Dificilmente haveria maneira mais enfática de anunciar a mudança na liderança do tênis feminino.
Sharapova voltará para a Flórida, local que adotou como casa, consciente de que sua vida nunca mais será a mesma.
Mas a garota que chegou aos Estados Unidos aos sete anos de idade com o pai e apenas 700 dólares está determinada a não deixar a fama e riqueza atrapalharem o seu jogo.
"Sei que vão começar a surgir coisas e que muito mais vai querer se envolver, mas quero manter minha cabeça fria e jogar tênis", disse.
"Não sei como isso vai mudar minha vida, mas espero que não mude a pessoa que sou agora. Eu não quero que isso aconteça."