Mostrando que sabe mexer muito mais que apenas seus quadris, a popstar Shakira vai fazer lobby junto a presidentes latino-americanos esta semana para lançar um projeto regional para injetar dinheiro em saúde e educação infantil.
A cantora vai discursar numa cúpula de lideres ibero-americanos que terá lugar em El Salvador, incluindo os presidentes do Brasil e de seu próprio país, a Colômbia, sobre a necessidade de alimentar e educar as crianças pobres, especialmente neste momento de depressão econômica global.
- Há tempos difíceis pela frente para a América Latina. Milhares de crianças vão morrer se os governos não organizarem maneiras de distribuir alimentos durante esta crise - disse a cantora à Reuters.
- Eu cresci no mundo em desenvolvimento e já testemunhei a falta de oportunidades com a qual as crianças convivem - acrescentou, falando ao telefone desde Miami.
- Num país como o meu, quando uma criança nasce pobre, as pessoas morrem pobres. Mas me fascina o fato de que através da educação é possível transformar vidas e pôr fim a esse ciclo de pobreza - afirmou.
Cerca de 35 milhões de crianças latino-americanas vivem na pobreza, disse Shakira, com pouco ou nenhum acesso a alimentação e ensino adequados. Investir em um ano de ensino primário pode elevar a renda da pessoa quando adulta em até 20%, disse ela.
As danças e baladas sedutoras de Shakira valeram à cantora uma enorme base mundial de fãs e vários prêmios Grammy. Ela começou a interessar-se por questões sociais alguns anos depois de iniciar sua carreira na música pop. Em 1997, fundou uma organização beneficente infantil na Colômbia chamada Fundação Pés Descalços - o nome de seu álbum de sucesso lançado no ano anterior.
Enquanto celebridades como Bono e Angelina Jolie focam suas atenções sobre a África, Shakira vem usando sua fama para fazer manchetes na América Latina, onde os índices altos de pobreza às vezes são esquecidos graças aos indicadores econômicos globais saudáveis.
Shakira ajudou a lançar a Fundação ALAS (Ação de Solidariedade América Latina), responsável pela nova iniciativa, e vem fazendo lobby junto ao Congresso americano e ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, sobre a necessidade de educar as crianças nos países pobres.
- Meu coração está comprometido com esta causa há muitos anos, desde que eu tinha 18 anos - disse Shakira, 31, que já vendeu cerca de 50 milhões de álbuns em todo o mundo.
- Gosto de pensar que posso usar meu perfil público para chamar a atenção a questões mais importantes que minhas próprias - afirmou.
Seu novo projeto vai buscar verbas de organizações como o Banco Mundial e se propõe a monitorar estreitamente os esforços dos governos, mas a cantora lamentou que não terá tempo para envolver-se em esforços de fiscalização em campo.