Os iranianos começaram a votar nesta sexta-feira para escolher seu novo Parlamento, em eleições que, para analistas, não devem mudar significativamente a estrutura política do país. Mais de 4,6 mil candidatos competem por 290 lugares no Parlamento iraniano.
Quase 40% dos 7.597 candidatos que originalmente se inscreveram foram desqualificados em um sistema que reprovou qualquer um que tivesse um passado considerado inadequado para um parlamentar. A maioria dos candidatos rejeitados são reformistas. Os reformistas parecem ter desistido após a desqualificação por suposta falta de lealdade para com os valores islâmicos. A reação de vários iranianos a essa falta de opções é simplesmente não votar.
Baixo comparecimento
O governo fez apelos para que a população compareça às urnas para desafiar o que chamou de "inimigos do Irã", os Estados Unidos e outros países. Apesar disso, espera-se que o comparecimento seja baixo, especialmente na capital, Teerã.
- Não vou votar por causa da desqualificação sem motivos de candidatos - disse Yusef, 30 anos de idade, da cidade de Shiraz.
O analista político Ali Ansari, especialista em Irã da universidade britânica de St. Andrews, estimou que a participação no pleito deve ser da ordem dos 40%.
- Uma presença maior dos eleitores poderia significar uma rejeição maior do governo, mas essa participação deve ser baixa, menor até do que os 50% que quer a administração do presidente (Mahmoud) Ahmadinejad para mostrar que o pleito teve legitimidade - afirmou.
A votação acontece nesta manhã de sexta-feira sem incidentes e foi registrada uma pequena participação de eleitores em Teerã, mas as autoridades previam um aumento nas próximas horas, especialmente depois da prece do meio-dia (horário local) da sexta-feira.
Perspectivas
Correspondentes acreditam que pode ocorrer uma disputa entre setores conservadores rivais, com ex-integrantes da Guarda Revolucionária (setor de elite das Forças Armadas iranianas) conquistando espaços que eram de grupos religiosos e se tornando o maior grupo político do Parlamento.
A posição do supremo líder, o aiatolá Ali Khamenei, também deve se fortalecer com a eleição de uma nova geração de parlamentares linha-dura.
Desde a revolução de 1979, o poder político do Irã está nas mãos dos aiatolás, os maiores líderes religiosos da vertente xiita do islamismo.
Apesar de ser criticado pela forma como tratou de temas econômicos, o governo conservador de Ahmadinejad não deve ser ameaçado com essas eleições.
Novas eleições presidenciais estão marcadas para o ano que vem. Correspondentes afirmam que, seja qual for a composição do novo governo, não deve haver mudanças em relação a assuntos como a política externa ou a questão nuclear.
O Irã é acusado por vários países ocidentais de usar seu programa de enriquecimento de urânio como fachada para a construção de armas, coisa que o governo iraniano nega. Muitos dentro do Irã dizem que a população iraniana está mais preocupada com a alta taxa de desemprego e de inflação do que com polêmicas internacionais. Mesmo assim, para analistas, este descontentamento não deve se refletir nas urnas.