Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Severino quer aumento de deputado sem voto; Renan nega acordo

Quarta, 02 de Março de 2005 às 17:14, por: CdB

Prevendo derrota na votação do aumento salarial a parlamentares, o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), quer conceder o reajuste com autorização apenas das Mesas Diretoras. Para isso, buscou apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mas teve seu pedido negado.

A proposta prevê reajuste de 67 por cento nos salários, de 12.847 reais para 21.500 reais.

"Essa não é uma demanda do Senado, isso não está aqui no Senado. Eu não tenho condição de assumir compromisso com proposta nenhuma, absolutamente nenhuma", afirmou Renan a jornalistas nesta quarta-feira após se reunir com o presidente da Câmara.

Severino depende de Calheiros para emplacar sua idéia, já que o aumento sem a apreciação do plenário só seria possível caso os dois concordassem.

"Nós vamos estudar a proposta e temos muito tempo para resolver. Não tem nada resolvido agora", afirmou Severino, acrescentando que a deliberação não seria unilateral. "Quem vai decidir isso são os membros da Mesa seguindo a orientação das lideranças."

Como o movimento de deputados contrários ao reajuste cresceu nos últimos dias, líderes das bancadas na Câmara já previam uma derrota também da proposta do Supremo Tribunal Federal.

Diante do cenário imprevisível, Severino conseguiu um importante aliado na briga pela elevação salarial: o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, que avaliou ser possível o reajuste sem o crivo dos 513 deputados.

Jobim também deseja aprovar uma proposta que eleva os salários dos ministros do STF para 21.500 reais.

O presidente da Câmara, que construiu sua campanha prometendo equiparação dos vencimentos com o teto salarial dos magistrados, quer cumprir a promessa assumida com seus eleitores, mesmo tendo de conceder uma elevação menor que a prometida.

Caso Renan Calheiros aceitasse a sugestão do colega, as regras definem que o limite máximo do salário seria de 19.115 reais, que é o vencimento atual dos ministros do STF, sem ser preciso votar projeto que eleva vencimentos do Supremo.

"O Jobim acha que tem de se estabelecer o teto do Supremo (para deputados) e que não precisa ser feita nenhuma votação de aumento de salário porque existe condição de fazer isso por ato das Mesas", afirmou o líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO), presente ao encontro desta tarde.

Questionado se isso não seria uma manobra para conceder a qualquer custo o aumento, o presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), também presente ao encontro, reagiu: "Por que manobra? O presidente Severino não disse em momento algum que se negaria a fazer isso. Ele não tem medo de tomar essa decisão."

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