Presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti negou "peremptoriamente", em entrevista coletiva à imprensa neste domingo, que sejam verdadeiras as denúncias contra ele. "A versão apresentada é visceralmente mentirosa", disse ele no depoimento de abertura. Severino também afirmou ter sido vítima de uma "extorsão", e tão logo foi informado da ameaça, diz ele que pediu "a apuração dos fatos ao ministro da Justiça, que solicitou à Polícia Federal que investigasse os fatos".
Sebastião Augusto Buani é dono do restaurante Fiorella, que fica na Câmara dos Deputados. Ele apresentou à Polícia Federal uma suposta cópia do contrato que teria sido firmado entre ele e Severino para prorrogar a concessão do restaurante. Em troca, Severino teria cobrado, segundo Buani, R$ 40 mil. Porém, mesmo tendo recebido o dinheiro, Buani contou que Severino passou a cobrar R$ 10 mil por mês, para uma concessão de um ano, em caráter emergencial.
- Trata-se de uma falsificação - disse o presidente da Câmara, dizendo que o documento foi "alterado eletronicamente".
Segundo ele, é um "documento sem qualquer valor jurídico e sem autenticidade".
- Afirmo, com absoluta convicção, que o documento é fraudulento. Não assinei, nem assinaria de forma consciente, documento de tal conteúdo, porque é inócuo perante a lei. Ou seja, não implica qualquer conseqüência jurídica - disse, após isentar de culpa os funcionários de seu gabinete de tê-lo induzido a erro por assinar um documento com tal conteúdo.
Na entrevista, demonstrando bom-humor, Severino chegou a chamar uma repórter de "advogada deles (Buani e adversários políticos)" por ter-lhe perguntado sobre a possibilidade de seu afastamento do cargo que ocupa.
- Fui eleito por dois anos. Vou exercer a inteira plenitude desses dois anos - disse o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) sobre o exercício da presidência da Câmara dos Deputados. Antes, Severino disse que não pedirá licença médica, ou se utilizará de qualquer recurso para pedir afastamento do cargo. Ele disse acreditar que a pressão para que deixa o cargo vai diminuir pelo fato de ele conceder uma entrevista coletiva à imprensa, nos moldes - e coincidente até no horário - de uma outra, do ministro da Fazenda, Antonio Palloci.
Existe uma pressão na Câmara para que Severino peça afastamento, enquanto se investigam as denúncias de que ele teria recebido propina para prorrogar o contrato de um restaurante da Casa. Os partidos de oposição - PSDB, PFL, PDT e PV - marcaram para esta terça-feira uma reunião a fim de discutir o afastamento do deputado Severino Cavalcanti. A expectativa do líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA), é a de que esta reunião seja ampliada com a participação de representantes dos partidos da base do governo. Severino, porém, considera como certo o apoio do governo a sua permanência no cargo.
- É claro que eu tenho o apoio do governo. O governo está ao lado da verdade - afirmou.
Encontro
O deputado Severino Cavalcanti, passou toda a manhã deste domingo fora de sua residência oficial em Brasília. Ele chegou em casa às 11h20, acompanhado do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Jaques Wagner, que já deixou o local.
Severino Cavalcanti saiu de sua residência antes das 9h da manhã, horário em que os jornalistas que estavam de plantão começaram a chegar.