Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Severino e Alencar recuam e afinam discurso contra juro

Quinta, 28 de Abril de 2005 às 17:33, por: CdB

Aliados na luta contra a taxa de juros. É assim que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), definiu sua parceria com o vice-presidente José Alencar para tentar sensibilizar o Banco Central a ignorar focos de pressão inflacionária e reduzir a taxa Selic.

"Está na hora de os setores produtivos terem espaço no Copom para também decidirem sobre os juros. Eu e o vice-presidente somos dois homens bem intencionados contra os juros escorchantes", afirmou Severino após encontrar-se com o vice-presidente no Palácio do Planalto.

Severino também aproveitou para relacionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em "sua" batalha. "O presidente da República é solidário porque ele pediu para o povo lutar contra os juros altos", disse ao deixar o Palácio do Planalto.

O deputado pernambucano referiu-se ao discurso do começo da semana na qual Lula classificou de conformismo da classe média com os juros altos praticados pelos bancos.

Na quarta-feira, Severino defendeu o fim da exclusividade do Copom na definição do juro básico do país ao apresentar a idéia de um projeto de lei que obrigaria o presidente do Banco Central a comparecer sempre ao Congresso para explicar as decisões do Comitê de Política Monetária.

O vice-presidente e ministro da Defesa apoiou a proposta de mudanças no Copom, mas nesta quinta-feira voltou atrás e preferiu sugerir uma ampliação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para abarcar representantes do setor produtivo. Hoje, o CMN é formado pelos ministro da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do BC.

Para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a discussão sobre o fim da exclusividade do Copom na definição do juro básico do país é resultado da ausência de um maior debate sobre como buscar o desenvolvimento econômico.

Renan admite apenas discutir a ampliação do Copom, mas sem um enfoque político-partidário.

"Essa discussão é porque não há uma agenda nacional que prestigie a necessidade de políticas de desenvolvimento," disse Renan a jornalistas, ao comentar a proposta do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE).

Para Renan, esse tipo de discussão sobre os juros não ajuda o país a avançar.

"A discussão político-partidária da questão do Copom retiraria o mínimo de credibilidade da economia brasileira", disse Renan. "Eu defendo no máximo a discussão da ampliação do Copom."

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