Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Severino diz que quer independência

O novo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), anunciou que sua postura no comando da Casa será de independência, mas que vai trabalhar de comum acordo com os interesses do país. "Vou cumprir minha missão na Câmara, mas não quero dizer que vou criar obstáculos para o presidente Lula". (Leia Mais)

Terça, 15 de Fevereiro de 2005 às 08:38, por: CdB

O novo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, anunciou nesta terça-feira, na abertura dos trabalhos legislativos de 2005, que sua postura no comando da Casa será de independência, mas que vai trabalhar de comum acordo com os interesses do país.

- Vou cumprir minha missão na Câmara dos Deputados, mas com isso não quero dizer que vou criar obstáculos para a administração do presidente Lula.

Severino também comentou sobre o excesso de medidas provisórias que constantemente trancam a pauta do Plenário. Ele afirmou que vai trabalhar na busca de uma solução para que essas MPs não atrapalhem o andamento do Legislativo.

O presidente deixou o plenário Ulysses Guimarães comemorando a vitória, mas reclamou do cansaço, alegando que está há 48 horas sem dormir. Ele prometeu entrevista coletiva para esta quarta-feira para detalhar suas propostas no comando da Câmara.
 

Vitória histórica

A eleição para a presidência da Câmara, que começou com um racha dentro do PT, terminou na maior derrota do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. Com 300 votos dos 498 deputados presentes, Severino foi eleito em segundo turno na madrugada desta terça-feira. Ele construiu sua candidatura com a promessa de elevar salários e de melhorar as condições de atuação dos colegas congressistas.

O candidato oficial, Luiz Eduardo Greenhalgh, só teve 195 votos - menos que os 207 obtidos no primeiro turno, três horas antes. Houve ainda um voto em branco e dois nulos.

Severino fez decolar sua candidatura após a insistência do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) em manter sua candidatura avulsa mesmo após o PT ter definido Luiz Eduardo Greenhalgh como seu indicado oficial.

Foi a primeira vez que um candidato independente, que pouco contou com o suporte de seu próprio partido, venceu a eleição para a presidência da Câmara. Também foi inédito o fato de o maior partido da Câmara não ter feito o presidente da Casa.

O presidente da Câmara é o primeiro a substituir o presidente da República na ausência de seu vice. Nas mãos do presidente, está o poder de determinar a pauta da Câmara e controlar todas as votações da Casa. Sozinho, Severino poderá inclusive determinar reajustes salariais para os funcionários por meio de decreto.

Fora da presidência da Câmara, o PT terá de negociar pesado para ter o controle da pauta, apesar de ter a maior bancada e a maior presença nas comissões permanentes.

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