O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), e o deputado Alberto Goldman, líder do PSDB, protagonizaram um bate-boca no plenário logo após a decisão pelo arquivamento do pedido de processo feito pelo partido contra Lula.
Após fazer a leitura de sua decisão, Severino dirigiu-se ao líder tucano para dizer que não usou a resolução para "barganhar" cargo no governo federal.
"Eu não admito as acusações feitas pelo senhor. Olhe o seu passado e não o meu", disse Severino em voz alta, citando uma reportagem de 1993 que lança dúvidas sobre o processo de privatização da rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, quando Goldman era ministro dos Transportes do governo Itamar Franco (1992-1994).
O presidente da Câmara apresentou outra reportagem em que Goldman teria dito que Severino adiara a decisão para conseguir espaço no governo federal, que discute neste momento a reforma ministerial.
Em resposta, Goldman pediu respeito a Severino. "O senhor tem de tomar cuidado no exercício da presidência dessa Casa. O senhor não respeita a dignidade dos deputados."
Mais calmo, o líder do PSDB afirmou aos jornalistas que suas declarações foram tiradas de contexto e esclareceu que havia feito uma avaliação de que prorrogar a decisão poderia ser confundida com "barganha".
"Vou analisar a questão com calma. O que eu sei é que o Severino não pode falar esse tipo de bobagem. No exercício da presidência, ele não poderia ter feito isso", afirmou Goldman.
O PP, partido de Severino, deve ser um dos contemplados pela reforma ministerial que vem sendo preparada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente da sigla, deputado Pedro Corrêa (PE), voltou a dizer que o partido não aceitará ministérios de "segundo escalão."
Segundo ele, o PP só se contentaria com as pastas de Integração Nacional, Comunicações, Cidades e Saúde.