Presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal criticou, nesta terça-feira, a queda nas taxas de juros cobradas por bancos públicos. Segundo o maior banqueiro do país, os ganhos das instituições financeiras "não são sustentáveis". Em palestra a líderes empresariais, o executivo afirmou que "as taxas que estão sendo praticadas não são sustentáveis em muitos casos".
Ao descartar a possibilidade de ceder no preço que os bancos cobram para emprestar dinheiro aos correntistas, o spread bancário, Setubal foi taxativo:
– Tem que remunerar o capital.
O Itaú Unibanco fechou o semestre em R$ 596,38 bilhões em ativos totais, ante R$ 518,79 bilhões um ano antes. No balanço, o banco informa que o número de funcionários do grupo caiu de 104.967 no segundo trimestre de 2008 para 103.790 no final de junho.
Ainda segundo Roberto Setúbal, o banco está registrando uma melhora nos níveis de inadimplência e espera para o próximo ano um retorno aos índices verificados em 2008. O executivo acrescentou que o banco espera uma redução nas provisões para perdas com crédito nos próximos semestres.
– Na margem já está melhorando (...) Economia está reagindo, crescendo em ritmo bem mais acelerado – disse Setubal.
Prejuízo
Ele diz ainda que a diferença do custo de captação de recursos de um banco para o que é cobrado de um cliente, que caracteriza o spread, cai desde setembro e apontou como causa do declínio as medidas do governo para incentivar bancos públicos a baixarem suas taxas. Segundo o presidente do banco, a economia brasileira cresce ao ritmo de 4% ao ano, em linha com as previsões do ministro Guido Mantega. Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá chegar a um crescimento de 5%.
Ainda nesta terça-feira, o Itaú Unibanco, maior instituição financeira da América Latina, fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 2,571 bilhões, ante lucro proforma de R$ 2,797 bilhões em igual período do ano passado. Em termos recorrentes, o lucro líquido da instituição nos três meses findos em junho somou R$ 2,429 bilhões, queda de 14,35% sobre o resultado obtido um ano antes.
O resultado ficou praticamente em linha com o esperado por uma média de estimativas de sete analistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters, de R$ 2,373 bilhões. A carteira de crédito do grupo somava R$ 265,97 bilhões no final de junho, ante R$ 231,16 bilhões no final do primeiro semestre de 2008. Sem incluir os dados do Unibanco, cuja fusão com o Itaú aconteceu em novembro passado, a carteira do Itaú somava R$ 148,1 bilhões no segundo trimestre do ano passado.
As operações para pessoa física cresceram 13,2% na comparação anual e 2,2% ante o primeiro trimestre, para R$ 96,54 bilhões. Já os financiamentos para empresas apresentaram alta de 17,1% frente o mesmo período de 2008, mas recuaram 4,5% em relação aos três primeiros meses de 2009, para R$ 145,98 bilhões. A instituição elevou de maneira significativa a despesa com provisão para empréstimos de difícil recuperação no período, que passou de R$ 2,67 bilhões há um ano para R$ 4,25 bilhões nos três meses encerrados em junho. Na comparação com o primeiro trimestre do ano, esse gasto foi elevado em 10,9%.
"Tivemos no período uma elevação dos níveis de inadimplência das carteiras de clientes pessoa física e jurídica, fruto do contexto adverso associado à crise econômico-financeira internacional. Entretanto, ao final do trimestre, constatamos melhora das expectativas, resultado da estabilidade da massa salarial, dos pacotes de estímulo fiscal ao consumo e do nível de atividade econômica", informou o banco no balanço divulgado pela manhã.
O índice de inadimplência de operações de crédito em atraso superior a 60 dias, e que deixam de ter receitas reconhecidas no resultado do banco, atingiu 6,7%, subindo 1,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado, importante indicador da rentabilidade de um banco, no trimestre passado ficou em 22,3% ante 26,5% um ano antes. Considerando o resultado recorrente, o recuo foi de 26,8% para 21,1%. Enquanto isso, o índice de eficiência operacional recuou de 46% para 44,8% na mesma comparação.