Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Setores políticos decidem rumo da reeleição de Lula

Sexta, 08 de Julho de 2005 às 07:35, por: CdB

Setores da oposição e governo estudam um meio de acabar com a reeleição para presidente, governadores e prefeitos, diante da repercussão das denúncias dos Correios e do mensalão, que agravaram a crise política, e do cenário de incertezas. É o que consta no site da Fenapef, da Polícia Federal.

Para eles, existe a possibilidade de acelerar a tramitação de emendas constitucionais, pois o agravamento da crise tornaria insustentável a permanência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cargo.

Nem mesmo José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil e atual deputado federal do PT por São Paulo, escaparia da lista dos parlamentares que possam ser cassados, num grande acordo político com o governo. Lula reage com irritação. Considera que o fim da reeleição seria um atestado de óbito de seu governo.

As iniciativas mais concretas para acabar com a reeleição partiram do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, criador da idéia em 1997, e dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Do lado do governo e do PT, participaram de algumas conversas o ministro Márcio Thomaz Bastos da Justiça e o deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF), um ex-tucano.

Apesar das acusações do mensalão - pagamento de mesada a deputados PP e PL em troca de apoio ao governo para deputados - setores do PSDB e do PFL concordam com a necessidade de proteger o presidente. 
 
A intenção é manter as investigações de corrupção, mas garantir condições de governabilidade a Lula durante o ano e meio que resta a seu mandato. Em troca, setores do PSDB e do PFL buscariam assegurar a discussão em torno de projetos com o carimbo de "interesse nacional" e a conclusão do mandato de Lula em caso de agravamento ainda maior da crise, cenário que o próprio governo não descarta. O grande temor do empresariado e dos caciques oposicionistas é a ascensão do vice José Alencar.

Numa outra ponta, o ministro Antonio Palocci Filho da Fazenda capitaliza politicamente a estabilidade da economia e tenta discutir uma agenda comum com empresários e parlamentares do governo e da oposição.

Após chegar da viagem que fez à Escócia para a reunião do G8, os sete países mais ricos do mundo e a Rússia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir nesta sexta-feira, com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Em seguida, o presidente participa da cerimônia de posse dos novos ministros das Comunicações, Helio Costa, da Saúde, Saraiva Felipe, e de Minas e Energia, Silas Rondeau. A partir das 17h30, Lula recebe o ministro Luiz Dulci da Secretaria Geral da Presidência.

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