Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Setor madeireiro se moderniza com combate ao desmatamento na Amazônia

Um levantamento inédito sobre a produção de madeira na Amazônia Legal aponta uma queda significativa no consumo de madeira em tora entre 1998 e 2009. No final da década de 90, o consumo foi de 28,3 milhões de metros cúbicos. No ano passado, o volume caiu pela metade e atingiu 14,2 milhões de metros cúbicos. (Leia Mais)

Sexta, 11 de Junho de 2010 às 07:57, por: CdB

Um levantamento inédito sobre a produção de madeira na Amazônia Legal aponta uma queda significativa no consumo de madeira em tora entre 1998 e 2009. No final da década de 90, o consumo foi de 28,3 milhões de metros cúbicos. No ano passado, o volume caiu pela metade e atingiu 14,2 milhões de metros cúbicos.

Para Alberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a redução da produção de madeira tem a ver com mudanças no mercado (substituição do uso da madeira por plástico PVC, metais e madeira de florestamento – MDF) e com o aumento da fiscalização. Para ele, o mercado está “mudando de perfil” e caminha para o fornecimento regular (sem problema de licenciamento) de produtos uniformes com origem certificada.

O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) - órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente e parceiro do Imazon na realização do levantamento -, Antônio Carlos Hummel, também confirma a modernização do setor.

Para Hummel, a queda ocorreu por causa da diminuição de produção ilegal de madeira graças à chamada “política de comando e controle” (fiscalização), à suspensão dos planos de manejo em terra pública e à substituição das antigas autorizações de transporte de produtos florestais – ATPF, que eram impressas (e falsificadas), pelo Documento de Origem Floresta (DOF) que tem controle eletrônico.

De acordo com Alberto Veríssimo, as medidas resultaram no fechamento de muitas madeireiras.

– Houve uma crise severa para quem dependia da atividade ilegal.

Ele aponta, no entanto, que há saída e compara a situação dos municípios vizinhos de Tailândia e Paragominas (ambos no nordeste do Pará). Segundo ele, Paragominas mantém a produção com madeira de reflorestamento e Tailândia ainda vive problemas com o fechamento das antigas madeireiras.

O Imazon prepara-se para divulgar novo diagnóstico do setor moveleiro no qual verificará o aumento da produção de MDF em todo o país (originário de plantações de pinus e eucalipto), inclusive na Amazônia.

– A madeira tropical (como cedro, ipê e maçaranduba) será usada apenas para o mercado de luxo –, prevê Alberto Veríssimo que imagina que a Amazônia, que vende 72% da sua produção de madeira em forma de tábua (sem valor agregado), sofisticará a produção unindo tecnologia para a produção de piso e esquadrias, por exemplo.

Veríssimo e Hummel alertam, no entanto, para as mudanças propostas no Código Florestal, segundo relatório elaborado pelo deputado federal Aldo Rabelo (PCdoB-SP), que deverá ir a votação na próxima semana em comissão especial da Câmara dos Deputados.

– Esse relatório tem equívocos conceituais graves e merece um debate maior. É um retrocesso –, classificou Hummel.

Alberto Veríssimo avalia que o relatório “é muito parcial” e sinaliza “um afrouxamento das regras”.

Para Hummel, a saída para o setor madeireiro é fazer manejo florestal em áreas concedidas como na Floresta Nacional de Jamari (RO). Segundo ele, até o final do ano, 900 mil hectares serão concedidos para exploração legal de madeira nas florestas nacionais de Jamari (RO), Saraca-Taquera, Amana e Crepori, no Pará.

Em 2009, a indústria madeireira da Amazônia Legal gerou 204 mil postos de trabalho diretos e indiretos e movimentou cerca de R$ 5 bilhões. O Pará participou com 43% da receita, Mato Grosso, com 33%; e Rondônia, com 15%. Os três estados são historicamente os que mais desmatam a floresta.

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