A recuperação do setor imobiliário dos EUA surpreendeu os analistas financeiros, nesta terça-feira. O número de novas construções residenciais no país registrou avanço de 22,2% em fevereiro. Na contramão das expectativas dos analistas, que esperavam uma nova queda, e depois de o índice ter atingido um patamar recorde de baixa em janeiro, o estudo registrou a taxa anualizada de 583 mil unidades, segundo o Departamento do Comércio que, após rever para cima os dados de janeiro, constatou uma taxa anualizada de construção de 477 mil unidades. O número é melhor que o inicialmente divulgado (taxa anualizada de 466 mil), mas ainda é o mais baixo desde que o Departamento do Comércio começou a pesquisa, em 1959.
Os números apurados em fevereiro assinalam, ainda, o primeiro mês de alta no indicador, após as quedas vistas nos sete meses anteriores: A última vez em que o indicador de construções de casas nos EUA havia registrado um mês positivo foi em junho de 2008. Apesar do dado positivo, o setor ainda está 47,3% abaixo do registrado no ano anterior. O número de licenças para construção, percebido como um dos principais indicadores de atividade na construção civil para os meses seguintes, teve alta de 3%, para uma taxa anualizada de 547 mil.
No último dia 4, o presidente norte-americano, Barack Obama, lançou um programa de ajuda para aqueles mutuários com atrasos nas hipotecas, para que consigam refinanciamento da dívida e evitem o despejo. O plano, anunciado em fevereiro, prevê a ajuda para reestruturar ou refinanciar as dívidas de 9 milhões de famílias, de modo a evitar novos despejos. Segundo as medidas adotadas para socorrer os mutuários norte-americanos, o montante disponível inicialmente era de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 115 bilhões), mas a proposta do governo prevê o total de US$ 75 bilhões para financiar entre 3 milhões e 4 milhões de "proprietários responsáveis" para que mantenham suas propriedades.
De acordo com a Associação de Bancos de Hipoteca (MBA, na sigla em inglês), as solicitações de contratos de hipoteca nos EUA tiveram na semana encerrada no último dia 6 um aumento de 11,3%, na comparação com o período imediatamente anterior. Os pedidos de financiamento para compra de imóvel residencial subiram 7,1%, na comparação semanal, enquanto os pedidos de refinanciamentos tiveram alta de 13,3%. Os pedidos de refinanciamento representaram 67,9% do total apurado pela MBA, contra 66,9% uma semana antes.