Sete em cada dez mulheres peruanas são vítimas de agressões físicas ou psicológicas em episódios de violência familiar, segundo um estudo da organização não-governamental "Flora Tristán", divulgado, em Lima. O trabalho revela que, em 2003, as delegacias da capital peruana receberam 32.895 denúncias de mulheres vítimas de agressões, das quais 68% afirmaram ter sido violentadas fisicamente.
Segundo o estudo, a maioria das violações foi ocasionada por problemas conjugais (8.869 denúncias), seguidos por problemas familiares (5.861), alcoolismo (2.564), problemas econômicos (4.359) e ciúmes (2.472 denúncias). A diretora de direitos humanos da "Flora Tristán", Ivonne Macassi, mostrou sua preocupação com "o alto índice de violência contra a mulher no Peru e, especialmente, pelos assassinatos".
Segundo Macassi, a média de assassinatos de mulheres durante o ano passado oscilou entre dois e três casos por semana, em todo o país. A organização não-governamental que apresentou o relatório foi fundada em 1979 e leva o nome de Flora Tristán (1803-1844), uma peruana nascida em Paris, precursora dos movimentos feministas pela luta e difusão dos ideais em prol dos direitos da mulher.
Essa ONG e a Anistia Internacional do Peru assinaram hoje um convênio de dois anos para lançar uma campanha de combate à violência contra a mulher no país andino. "Vamos analisar qual foi a resposta dos agentes do Estado frente a esses casos de violência e como se comportaram a polícia, os promotores e os juízes", disse Ivone Macassi.
A campanha também pretende apoiar as investigações e as propostas de reparação às mulheres torturadas durante a violência política sob a qual o Peru viveu entre 1980 e 2000, documentada no relatório final da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR).
Teresa Carpio, diretora da Anistia Internacional no Peru, explicou que "muitas mulheres das zonas em conflito, como no departamento de Ayacucho (Sudeste do país), foram sexualmente violentadas e devem ser compensadas de alguma forma".
A situação das mulheres policiais no Peru também é um dos objetivos da campanha, "já que desde o último dia 1º de março foi registrado um total de 71 casos de agressões em Lima, a maioria contra as policiais de trânsito", disse.
A campanha no Peru foi apresentada hoje, junto com a da Anistia Internacional. O título "Não mais violência contra as mulheres" ficou mundialmente conhecido por meio de um ilustrativo relatório sobre as agressões que sofrem as mulheres. A campanha vem de encontro à celebração do Dia Internacional da Mulher, que acontecerá na próxima segunda-feira.