Ao mesmo tempo em que dá início à investigação de denúncias de corrupção nos Correios, o Senado poderá ser levado a instalar, nos próximos dias, uma outra comissão parlamentar de inquérito - a CPI dos Bingos, cujos trabalhos nunca chegaram a ser iniciados por falta de indicação de integrantes por partidos governistas. Recomeça nesta quarta-feira o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dos mandados de segurança impetrados por senadores com o objetivo de garantir o funcionamento da comissão.
Na segunda, o placar era de quatro votos a zero pela imediata instalação da CPI. Votaram a favor o ministro Celso de Mello e os ministros Sepúlveda Pertence, Marco Aurélio Mello e Carlos Ayres Britto. A votação foi interrompida por um pedido de vista do ministro Eros Grau, que deverá apresentar seu voto nesta quarta-feira. Caso também seja favorável, faltará apenas mais uma manifestação a favor para que os mandados de segurança sejam acolhidos pelo STF.
Em seu voto, Celso de Mello observou que as maiorias parlamentares não podem "inviabilizar e asfixiar" o direito de grupos minoritários interessados em promover investigações de fatos determinados por meio de CPIs. Esse direito, no entender do ministro, teria sido negado por meio da atitude de partidos governistas de não indicar representantes para a CPI dos Bingos.
Em março do ano passado, o então presidente do Senado, José Sarney, disse que não poderia fazer as indicações em nome dos partidos que não as haviam promovido. Mas, agora, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros, poderá ter de fazê-las por determinação do Supremo.
A CPI dos Bingos foi criada depois da divulgação, pela televisão, de imagens em que Waldomiro Diniz, então assessor do ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, cobrava propina de um empresário de jogos eletrônicos.