Sete sérvios bósnios foram condenados por genocídio e presos pelo massacre de bósnios muçulmanos em Srebrenica, na Bósnia, em 1995.
Depois de um julgamento que se estendeu por dois anos, o tribunal de crimes de guerra em Sarajevo decidiu que os homens ajudaram no assassinato sistemático de mais de mil bósnios muçulmanos em apenas um dia.
No total cerca de 8 mil homens e meninos foram mortos em uma semana.
Os sete receberam sentenças que variam entre 38 e 42 anos de prisão. Outros quatro sérvios foram absolvidos.
Todos os onze eram policiais ou soldados que serviam às autoridades sérvias na época.
- Os réus sabiam que, ao matar homens bósnios muçulmanos, eles participaram no extermínio permanente de muçulmanos bósnios de Srebrenica - disse o juiz Hilmo Vucinic.
- Conscientemente eles mataram centenas de bósnios muçulmanos com o objetivo de removê-los permanentemente de Srebrenica. - completou.
O julgamento em Sarajevo foi o primeiro relacionado a crimes cometidos em Srebrenica a ser realizado na Bósnia, e também o primeiro por genocídio. Julgamentos anteriores foram realizados em Haia, na Holanda.
Refúgio
O grupo dos sete condenados participou do massacre de Srebrenica em 1995 ao separar mais de mil bósnios muçulmanos de suas famílias.
Os homens foram mantidos em um armazém de uma cooperativa agrícola em Kravica, antes de serem todos assassinados em um único dia.
As mortes eram parte de um massacre que durou uma semana perpetrado pelas forças sérvias na Bósnia, que invadiram uma área considerada segura pelas Nações Unidas.
Cinco ex-oficiais sérvios foram presos pelo Tribunal internacional de crimes de guerra de Haia por envolvimento no massacre de Srebrenica. Outros suspeitos ainda aguardam julgamento.
Um tribunal sérvio já prendeu quatro ex-paramilitares sérvios pela participação no massacre.
A condenação dos sete ocorre logo depois da captura do ex-líder sérvio da Bósnia, Radovan Karadzic, acusado de genocídio e crimes contra a humanidade ligados à guerra, na década de 90, que se seguiu à desintegração da Iugoslávia.
O ex-líder sérvio foi indiciado no Tribunal de Haia em julho de 1995, acusado de autorizar a morte de civis durante o cerco de Sarajevo, que durou 43 meses.
Quatro meses depois, foi indiciado por genocídio pela morte de cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos, depois que as forças de seu comandante militar Ratko Mladic tomaram Srebrenica.