Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

Servidores protestam, apitam e quase batem em deputado petista

Os servidores públicos, que nesta terça-feira protestavam contra o texto elaborado pelo governo para a reforma da Previdência, tentaram invadir o prédio da Câmara, envolveram-se em confronto com policiais militares, promoveram um apitaço e tentaram agredir o deputado Professor Luizinho (PT-SP) ao longo do dia. Para isso, contaram com o apoio dos radicais do PT, entre eles a senadora Heloisa Helena e o deputado Babá. (Leia Mais)

Terça, 05 de Agosto de 2003 às 17:57, por: CdB

Os servidores públicos, que nesta terça-feira protestavam contra o texto elaborado pelo governo para a reforma da Previdência, tentaram invadir o prédio da Câmara, envolveram-se em confronto com policiais militares, promoveram um apitaço e tentaram agredir o deputado Professor Luizinho (PT-SP) ao longo do dia. Para isso, contaram com o apoio dos radicais do PT, entre eles a senadora Heloisa Helena e o deputado Babá.

A movimentação de servidores em greve e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) começou pela manhã, quando eles interromperam uma reunião com o relator do projeto, deputado José Pimentel (PT-CE). Ele apresentou as mudanças feitas no parecer pelo colégio de líderes, mas os grevistas disseram não se sentirem atendidos e desistiram da conversa.

- Eu nem sequer vou querer estar em plenário para assistir à votação. Se passar do jeito que está, só nos resta, como única esperança, continuar insistindo para mudar - disse Luiz Marinho, presidente da CUT.

A Câmara amanheceu cercada por cerca de mil policiais militares e grades de metal, para evitar o acesso de servidores. Na entrada principal, policiais e seguranças do Congresso fizeram uma barreira a cerca de 20 metros da porta para uma triagem dos carros. Eram barrados aqueles que não tivessem crachá de identificação.

- Não houve país em que isso houvesse acontecido. Não conheço outro caso que tenha tido essa velocidade, ausência de diálogo e essa truculência - afirmou Luis Carlos Gonçalves Lucas, presidente do Andes (sindicato dos professores universitários).

"Isso tudo é muito ruim. A Câmara sempre foi um espaço democrático. Cercear o acesso não é uma prática democrática", afirmou Denise Mota Dau, presidente da CNTSS (servidores da saúde e da Previdência).

Por volta das 13h, depois da reunião com Pimentel, um grupo de cerca de 200 pessoas, segundo a Polícia Militar, e 500 manifestantes, segundo os organizadores, derrubou os alambrados que protegiam a entrada do anexo 2 da Câmara.

Soldados da PM entraram em confronto com os servidores para impedir a quebra de uma porta de vidro, que estava lacrada com corrente e cadeado. Segundo Janira Rocha, da Fenasps (servidores da Previdência Social), os funcionários públicos vão denunciar o governo brasileiro à Corte Interamericana de Direitos Humanos e à OIT (Organização Internacional do Trabalho), por conta da repressão aos manifestantes.

- O Partido dos Trabalhadores está sendo muito bom patrão, mas dentro de uma ótica capitalista - afirmou.

O rigor na segurança foi burlado por funcionários da própria Câmara. Organizado pelo Sindilegis (servidores do Legislativo), um apitaço que durou quase uma hora dificultou a passagem, inclusive de deputados, pelo corredor que liga o prédio anexo, das comissões, ao principal. Eles protestavam contra o veto à entrada de servidores nas galerias do plenário para acompanhar a sessão.

O deputado Professor Luizinho (PT-SP), um dos principais articuladores do governo na Câmara, tentou passar pelos manifestantes, mas foi impedido e cercado por um grupo de servidores. Houve empurra-empurra e a segurança agrediu os manifestantes que tentavam se aproximar de Luizinho.

O deputado precisou ser conduzido para outro prédio, para evitar mais conflitos, e ouviu gritos de "traidor", "professor de araque" e "safado".

- Ao usarem o crachá para se manifestar e impedir os deputados de trabalhar, os funcionários ferem o código do funcionalismo - disse o deputado.

Aclamado pelos servidores, o também petista João Fontes (SE), da ala radical, interrompeu o apitaço para um discurso improvisado. Explicou aos manifestantes que havia levado ao presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), uma liminar garantindo a entrada dos servidores no plenário, mas ele havia se recusado a cumpri-la. 

Fontes foi recebido no gabinete de João Paulo, que alegou motivos de segurança para não permitir a entrada dos servi

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