Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Servidores da saúde em SP convivem com "vale coxinha"

Quinta, 15 de Setembro de 2011 às 13:29, por: CdB
Servidores da saúde em SP convivem com "vale coxinha"

Servidores da saúde recebem R$ 4 ao dia a título de vale refeição. Mesmo após ceder aumento salarial à categoria, governo não revê valores e pede para que assunto não seja "generalizado"

Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual

Publicado em 15/09/2011, 19:17

Última atualização às 19:17

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Em protesto, servidores almoçaram coxinha em 2010 após promessa de reajuste não ter sido cumprida (Foto: Divulgação/SindSaúde)

São Paulo - Um dos maiores desafios colocados aos servidores estaduais da saúde em São Paulo é fazer durar os R$ 4 que recebem por dia a título de auxílio-refeição, em uma metrópole em que o preço médio da alimentação fora de casa é de R$ 29,42. O valor de referência consta da pesquisa Datafolha de julho. O valor do benefício não é reajustado pelo governo estadual desde o ano 2000 e encorpa o rol de reivindicações da categoria.

A promessa do governo desde o ano passado é reajustar o valor do vale de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe, no acumulado desde junho de 2000 – data do último reajuste. Em reunião nesta quinta-feira (15) com o secretário de Saúde, Giovanni Cerri, e de Gestão Pública, Julio Semeghini, os representantes do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde) foram informados que, até o momento, não há resposta sobre o assunto.

Segundo Helcio Aparecido Marcelino, secretário-geral do SindSaúde, o governo "enrolou" e ficou de apresentar propostas sobre o auxílio na próxima reunião, marcada para o próximo dia 3. "Eles nos disseram que não teriam condições de dar perspectiva de aumento para o vale, mas vamos aguardar", disse.

O chamado "vale coxinha"  foi motivo de questionamento ao governador do estado, Geraldo Alckmin (PSDB), durante entrevista no último mês ao Programa do Jô, da TV Globo. "O que se pode comer por R$ 4?", indagou um médico com 22 anos de carreira que enviou carta ao programa, junto ao holerite que revelava seu salário-base de R$ 529. Em busca de exaltar o recente anúncio de reajuste salarial de 7% aos trabalhadores da saúde, Alckmin ponderou: "A gente nunca deve generalizar".

Existem diferenças nos valores recebidos pelos servidores pelo país, como por exemplo, na saúde do Distrito Federal. Eles recebem um vale-refeição que varia de R$ 126 a R$ 161 por mês (de R$ 5,72 a R$ 7,31 por dia útil), em constraste com o valor máximo a ser recebido em São Paulo (R$ 88).

No caso dos professores paulistas, o problema do vale-refeição se repete. Em 2010, o pagamento do benefício de alimentação, utilizado para realizar compras em supermercados, atrasou por cinco meses durante a gestão do então governador Alberto Goldman (PSDB). O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), à época, argumentou a defasagem do valor do auxílio, que varia na faixa de R$ 80 mensais de acordo com a carga horária dos profissionais.

Campanha

A mobilização dos servidores estaduais pelas conquistas da campanha salarial de 2011 continuam. Em ato organizado nesta quinta-feira (15) pelo SindSaúde, cerca de 300 trabalhadores se reuniram em frente à Secretaria de Estado da Saúde, para pressionar pela inclusão de funcionários administrativos no plano de carreira, que deve entrar em vigor a partir de 2012. A reestruturação desses planos de carreira foi tratada no encontro entre servidores e governo, que entregou a minuta do projeto para que fosse analisada pelos trabalhadores.

A respeito do aumento salarial, foi encaminhado à Assembleia Legislativa de São Paulo o projeto de reajuste da saúde de 7%. Os servidores reivindicavam 26% de reajuste, e continuam em estado de greve.

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