Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2026

Servidores da Bahia protestam contra condições de trabalho

Segunda, 06 de Outubro de 2003 às 21:46, por: CdB

Servidores da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) protestaram na manhã da última segunda-feira, na área externa do Hospital Roberto Santos, contra as condições de trabalho.
 
Encabeçando os principais itens da pauta de reivindicação estão a revisão do plano de carreira com reposição na tabela de 45,18%, mudança na forma de gratificação, realização de concurso público e extensão dos benefícios do plano de carreira para os 8.500 agentes públicos que existem na Bahia.

- Queremos que a gratificação seja dada de acordo com o nível de complexidade do procedimento realizado. Afinal de contas, estamos tratando de vidas, e não de parafusos - considerou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado da Bahia (Sindsaúde), Aladilce Souza.

No Lacen, segundo funcionários, a falta de recursos financeiros para compra de kits levou à suspensão de 32 exames, deixando equipamentos de tecnologia de ponta ociosos nas salas. Entre os aparelhos, citam o Axims, utilizado no diagnóstico do HIV, sarampo, rubeóla, e o citomegalovírus (CMV). Alguns dos exames antes feitos com o Axims hoje são realizados manualmente.

- Como passou a ser manual, a demanda caiu bastante. Além de ser mais demorado, como o volume de amostras é grande, a margem de erro aumenta - acrescentou um funcionário que preferiu não se identificar.

Referência no estado, o Lacen realiza cerca de 1.800 exames/dia. Deste total, 60% são enviados pelas Diretorias Regionais de Saúde (Dires). Todos os 203 funcionários do laboratório são vinculados à Sesab.

De fora do movimento, a diretora da instituição, Aída Maria Costa, informou que, apesar da instituição só estar com 30% do seu quadro na ativa, há procedimentos que não podem deixar de ser realizados.
 
- Aqui lidamos com saúde pública, então, por mais que exista paralisação, temos que manter alguns serviços. Recebemos amostras de soro para serem examinados da Bahia inteira. Mantivemos a análise desse material, no entanto, desde a última sexta-feira, aqui não entrou nenhum paciente. A marcação de consultas também foi suspensa - informou a diretora do Lacen.

Nesta terça-feira à tarde, os servidores se reúnem com o subsecretário de Saúde, Wedner Costa, na tentativa de fechar um acordo.

No lugar de longas filas de espera, bancos vazios. Desde que os servidores da Sesab entraram em greve, há uma semana, este tem sido o cenário dos centros de saúde que possuem maior parte dos funcionários vinculados ao estado. Em alguns centros, a rotina não foi tão alterada.

De acordo com o diretor geral da Sesab, Virgílio Abreu, as questões pendentes que estão ao alcance do órgão estão sendo resolvidas; já as que envolvem orçamento deverão ser encaminhadas à Secretaria de Administração do Estado da Bahia (Saeb).
 
- Embora a grande maioria dos serviços esteja funcionando, a gente espera que amanhã (hoje) o impasse seja solucionado -  afirmou.

Caso isso não aconteça, só há duas opções para quem precisar de atendimento em um desses centros de saúde: madrugar na porta dos postos que mantêm o atendimento ambulatorial com maior demanda ou aguardar o fim da paralisação.

Logo na entrada do 15º Centro de Saúde, no Vale das Pedrinhas, uma faixa amarela com letreiro vermelho avisa que os servidores estão em greve. Já passa das 10h e não há sinais de pacientes no local. Antes da reportagem adentrar o prédio, é logo abordada por um segurança.
 
- Temos ordem do distrito Barra/Ondina para não permitir a entrada da imprensa escrita ou televisionada - informou.

Perto dali, no 14º Centro, no Nordeste de Amaralina, também não há movimentação. Segundo informações da diretoria, com 30% dos funcionários trabalhando normalmente, estava sendo possível manter o funcionamento da farmácia e sala de vacina e também o fornecimento de autorizações do Sistema Único de Saúde (SUS). Dos quase 90 servidores do local, 80% são vin

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