Relator da CPI dos Correios, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) confirmou, nesta quinta-feira, que dinheiro de origem pública foi usado para abastecer o chamado "valerioduto". Ele apontou o Banco do Brasil como participante do esquema, na primeira divulgação pela CPI da procedência dos recursos que alimentaram o caixa dois do PT. O relator sustentou a afirmação com base em levantamento efetuado sobre os pagamentos de serviços publicitários contratados pela Companhia Brasileira de Meios de Pagamentos (ou Visanet) à DNA Propaganda no valor de 35 milhões de reais em 2004. A agência DNA é uma das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do mensalão e autor de empréstimos ao PT.
- Essa é a nossa primeira resposta sobre a origem dos recursos. Há uma exigência para que a gente exiba a origem (dos recursos) - disse o relator, deixando claro que a CPI vem recebendo pressões para apontar de onde vem o dinheiro do caixa dois do PT. Na entrevista coletiva, ele acompanhado do também integrante da CPI, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).
Desse montante, segundo conclui Serraglio, R$ 9,095 milhões não foram executados pela DNA, conforme comprova auditoria do Banco do Brasil (BB), empresa de economia mista, encaminhada à CPI.
- Houve direcionamento de 10 milhões de reais ao PT - disse Serraglio referindo-se à diferença encontrada no levantamento.
O relator afirmou que o BB está atuando para recuperar essa diferença por vias judiciais.
Banco responde
O Banco do Brasil tem participação de 32% no capital social da Visanet, sendo responsável pela administração e investimento de igual percentual em gastos com propaganda. A partir de 2003, após a administração do ex-diretor de marketing Henrique Pizzolato, o banco aprovou uma nota técnica que possibilitou o adiantamento de recursos da Visanet destinados a gastos com propaganda à agência que servia ao banco, a DNA, conforme levantamento da CPI.
A investigação da CPI mostra, ainda, que a Visanet pagou à agência entre os anos de 2003 e 2004 o montante de R$ 73,8 milhões. Parte desse total, ou R$ 35 milhões, diz o relator, foram pagos à agência de Valério antes da execução dos serviços contratados.
- O BB não poderia fazer uma antecipação como essa - criticou o relator.
Pizzolato, e outros dois diretores do banco, Fernando Barbosa de Oliveira e Léo Batista dos Santos, serão chamados à CPI para prestar esclarecimentos. Além deles, também deverão ser convocados os gerentes executivos da área de marketing do banco Cláudio de Castro Vasconcelos e Douglas Macedo.
Em nota divulgada no final da tarde desta quinta-feira, o Banco do Brasil explicou que "os recursos provenientes do Fundo de Incentivo Visanet, constituído em 2001, foram investidos em campanhas publicitárias, eventos promocionais, patrocínios e ações de marketing esportivo e cultural ou outras ações de oportunidade, destinadas a promover o cartão de crédito bandeira Visa, uma das marcas utilizadas pelo BB, acionista da Visanet". Ainda na nota, a instituição garante que "as ações de marketing do BB foram implementadas por agências de publicidade, contratadas por processo de citação pública". E continua a nota:
"A partir de setembro de 2004, as transferências dos recursos do Fundo de Incentivo Visanet só foram liberadas a partir da efetiva comprovação dos serviços.
"Do montante divulgado de R$ 58,3 milhões, o Banco constatou que R$ 49,2 milhões foram aplicados em ações de marketing integradas às estratégias mercadológicas de varejo, principalmente em campanhas publicitárias e ações promocionais.
"Com relação à diferença de R$ 9,1 milhões, o Banco do Brasil encaminhou, em 25.10.05, notificação extra-judicial à agência DNA, tendo em vista que até o presente momento encontra-se pendente de conciliação a aplicação desses recursos em ações de marketing referentes a projetos autorizados pelo BB. Indepen