Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2026

Serraglio aponta provas de que existiu o 'mensalão'

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), apresentou um relatório preliminar das investigações e reforçou a tese de que houve, realmente, o pagamento a parlamentares para votar com o governo, o chamado "mensalão". (Leia Mais)

Quarta, 21 de Dezembro de 2005 às 11:50, por: CdB

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), apresentou um relatório preliminar das investigações e reforçou a tese de que houve, realmente, o pagamento a parlamentares para votar com o governo, o chamado "mensalão". Ainda nesta quarta-feira, Serraglio afirmou que o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato deve ser responsabilizado pelas operações BB-Visanet que abasteceram o esquema do empresário Marcos Valério.

- O culpado é o antigo diretor de Marketing, pelo menos o grupo em torno dele - sentenciou.

Serraglio afirmou que a atual administração do banco fez uma auditoria que reconhece os vícios antigos.

- Eles não acobertaram os erros encontrados. Sabemos que tinha um emaranhado e a cada dia que passa alguma coisa surge e evidencia que a versão verdadeira é muito triste, de que recursos públicos estão sendo desviados - acrescentou.

No documento de prestação de contas divulgado nesta quarta, Serraglio reforça a tese de pagamento de "mensalão" para partidos da base aliada próximos a votações importantes para o governo, para financiar a mudança de deputados de legendas, incluindo o PTB, PP e PL, ou para atender interesses da legenda, que poderia ser o financiamento irregular de campanhas.

Segundo o relatório preliminar, o mensalão seria um "fundo de recursos utilizados, especialmente, para atendimento a interesses político-partidários". Inicialmente a CPI trabalhava com a tese de pagamento de mesada para deputados votarem com o governo. O Partido Lilberal, de acordo com as investigações, recebeu recursos semanalmente por intermédio da Guaranhuns. Durante quatro semanas, o PL teria recebido R$ 500 mil. Depois, o partido recebeu mais cinco parcelas de R$ 300 mil. Em seguida, mais seis parcelas de R$ 200 mil. Completariam os repasses depósitos variados que somariam R$ 1,33 milhões.

Ainda de acordo com a prestação de contas da CPI, o pagamento de "mensalão" se concentrou também em maio de 2003, "com intenso ingresso de parlamentares no PTB". O mesmo é apontado em relação ao PP: "concentração de pagamentos entre janeiro e fevereiro de 2004, com mudança de parlamentares para o Partido Progressista". Os repasses ao PP teriam intervalos de 48h a 72 h e foram feitos por intermédio da corretora Bônus-Banval.

O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) também indicou, em seu relatório, que houve pagamento de recursos a partidos em datas próximas às votações de interesse do governo. O deputado não indica, no entanto, quais foram os projetos votados próximos a depósitos feitos com recursos do "valerioduto".

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