A última coisa que os tucanos governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e senador Aécio Neves (PSDB-MG) fariam é deixar impunemente o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, montar um grande partido, porque isto beneficiaria o cordial inimigo dos dois, José Serra, duas vezes já derrotado como candidato a presidente da República.
O prefeito paulistano não se cansa de repetir juras de fidelidade a José Serra e sua disposição de manter-se aliado onde quer que José vá ou o que quer que seja que ele dispute em 2012 e/ou 2014 (leiam "DEM faz convenção com espada sobre a cabeça").
No início desta semana, durante um jantar de caciques demos, o DEM desesperou-se e seu líder na Câmara, deputado ACM Neto (BA) telefonou ao governador Alckmin, apelando por sua ajuda para conter uma debandada do partido rumo à legenda de Kassab. Desde então pipocam diariamente desistências de pessoas antes comprometidas com a ida para o PDB.
Alckmin, "docemente constrangido" - como se costuma dizer com frequência quando se juntam a fome com a vontade de comer - topou atender ao pedido e fazer o serviço. Evidente que esta ação de Geraldo só pode estar ligada à proximidade de José Serra com o prefeito, uma vez que o governador já declarou que seu governo manterá a aliança com Kassab na Capital e no Estado.
Questão de fundo, para além da mudança de Kassab e do nascimento do novo partido: como vemos, tanto Aécio Neves como Geraldo Alckmin atuam já como pré-candidatos em 2014 - tanto no caso do PDB, como na questão sindical, quando deixaram correr, no fim de semana, a versão de que se aproximam das centrais de trabalhadores.
Serra: sempre na mira de Alckmin e de Aécio
Terça, 15 de Março de 2011 às 07:35, por: CdB