O PSDB está perdendo a paciência com o prefeito paulistano, José Serra. Cairam mal as últimas manobras políticas do candidato derrotado à Presidência da República nas últimas eleições na tentativa de adiar, mais uma vez, a decisão dos tucanos sobre quem irá enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas. As convenções do partido estão previstas para o próximo dia 20, mas Serra ainda não definiu se sai ou se fica na prefeitura de São Paulo, enquanto seu adversário, Geraldo Alckmin, que governará o Estado de São Paulo até o próximo dia 30, reafirma dia após dia a sua intenção de ser candidato à Presidência da República. Com isso, serra se isola no ninho tucano e é visível o desânimo em parte do seu eleitorado.
Mesmo o presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), já bombardeou, na noite desta quarta-feira, a candidatura serrista. A interlocutores, ele fez elogios rasgados à candidatura Geraldo Alckmin. O governador paulista já ocupava lugar de destaque em sua preferência, há três meses, mas por influência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e levado pelas pesquisas de opinião, Tasso se bandeou para o lado de Serra. No entanto, o arrependimento começa a ficar mais visível a cada dia que passa, com palavras que variam da neutralidade ao apoio a Alckmin. A um interlocutor do PFL, Jereissati confirmou que Serra vem perdendo terreno rapidamente para Alckmin, devido a sua demora em assumir uma posição pública. Hoje, a máquina partidária é, em sua maioria, favorável ao governador paulista.
O discurso dúbio de Serra e a tentativa do prefeito de driblar os prazos fixados pela direção do partido deixam antever que seu objetivo é adiar o desenlace para depois da data fixada para a convenção. Alckmin, no entanto, busca um rumo totalmente oposto ao do adversário e adota o mesmo discurso para dentro e fora do partido. Ele não nega, em hora alguma, que prentende ser candidato. E que tem pressa. Até o PFL, que apoiava unânime a candidatura de Serra, hoje já não sabe mais o que dizer. O senador Antonio Carlos Magalhães informou a Tasso Jereissati, nesta quarta-feira à noite, que não simplesmente não existe a ameaça da direção do PFL de rifar a aliança com os tucanos por uma candidatura própria, caso o escolhido seja Geraldo Alckmin. A aliança com o PFL está garantida, segundo ACM, com qualquer dos candidatos.