Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Serra é lançado à pré-candidatura e diz que o 'Brasil Pode Mais'

Sábado, 10 de Abril de 2010 às 10:37, por: CdB

Lançado neste sábado pelo PSDB, José Serra discordou, em seu primeiro discurso como pré-candidato à Presidência, da possibilidade de uma campanha plebiscitária proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o confronto com a ex-ministra Dilma Rousseff (PT). Serra, que ainda lidera as pesquisas de intenção de voto mas tem sucessivamente visto a adversária petista se aproximando, lançou o slogan "O Brasil Pode Mais", título de seu discurso e que já havia sido exibido pelo tucano na despedida do cargo de governador paulista no início do mês.

– Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem comum – disse Serra na festa de lançamento da candidatura tucana realizada em um auditório lotado de políticos e militantes em Brasília.

Ele ainda acusou de "deplorável" quem, "em nome da política, tente dividir o nosso Brasil". E foi claro no recado à candidatura governista:

– Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão.

Serra propôs ainda "governar com todos, sem discriminar ninguém", sem "indagar a filiação partidária". A proposta do presidente Lula é comparar na eleição os oito anos da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB (1995-2002), com o governo petista, que completará oito anos ao final de 2010. Declarações do presidente, da candidata Dilma e de petistas já vêm seguindo esta orientação.

Serra, que fez suspense nos últimos meses sobre sua decisão de concorrer à sucessão presidencial em outubro, admitiu que, durante uma eleição, "pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família" e por mais de uma vez classificou o pleito como uma caminhada "longa e difícil". Ele criticou o atual estágio do setor de saúde, que classificou de estagnado, e destacou que lutará pela melhora na educação e na segurança pública.

– Tenho visto gente criticar o Estado mínimo, o Estado omisso. Concordo. Por isso mesmo, se tem área em que o Estado não tem o direito de ser mínimo, de se omitir, é a segurança pública – defendeu um dos protagonistas do neoliberalismo da época de FHC.

No lançamento, em que o PSDB situou-se ao lado de seus aliados DEM e PPS, estiveram presentes o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves, que deixou o governo de Minas Gerais para concorrer ao Senado. Aos 68 anos, Serra concorre pela segunda à Presidência da República. Em 2002, perdeu para Lula. No discurso, falou sobre sua trajetória.

– Minha história pessoal está diretamente vinculada à valorização do trabalho, à valorização do esforço, à valorização da dedicação – concluiu.

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