O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou nesta segunda-feira o Banco Central por não ter reduzido a taxa básica de juros da economia durante a crise financeira mundial e afirmou que a instituição "não é a Santa Sé".
– A questão dos juros, a questão do câmbio, acho que ninguém em sã consciência pode defender a posição de que, quando há condições para baixar a taxa de juros e o Banco Central não baixa, ele está certo –, disse Serra em entrevista à rádio CBN.
– O Banco Central não é a Santa Sé.
O tucano demonstrou irritação ao ser perguntado sobre as críticas de que, se eleito, também agiria como presidente do BC. Ele defendeu, no entanto, que o "presidente (da República) tem que fazer sentir sua posição" diante das decisões da instituição.
Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a taxa básica de juro da economia em 0,75 ponto percentual, para 9,50% ao ano, a primeira alta desde setembro de 2008.
– Entra governo e sai governo e o Brasil tem a taxa de juros mais alta do mundo –, disse Serra.
Apesar das críticas às políticas do BC, o candidato tucano afirmou que manterá, em um eventual governo, o tripé formado por superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação que, segundo ele, "está aí e veio para ficar".
O ex-governador de São Paulo defendeu também uma reforma da Previdência que "elimine privilégios e corrija injustiças" e declarou que respeitará qualquer decisão do governo sobre o reajuste para os aposentados.
Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou aumento de 7,7% para aqueles que ganham acima de um salário mínimo e o assunto será analisado pelo Senado. O governo defendia aumento de 6,14%.
Serra afirmou não planejar privatizações de empresas estatais caso seja eleito, e considerou "trololó de campanha" rumores de que privatizaria o Banco do Brasil ou a Petrobras.
Durante a entrevista, Serra criticou, mais uma vez, o que considera aparelhamento político do Estado pelo governo federal e afirmou que não irá inchar o Estado caso chegue à Presidência.
– Eu defendo um governo forte, não obeso, mas musculoso, para ter capacidade de ativar nosso desenvolvimento –, disse.
O tucano avaliou que a ocupação de cargos por integrantes do PT, que ele afirma ter ocorrido no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "desvirtua as funções governamentais".
Em outra ocasião, Serra disse haver muita "gordura" na administração federal e garantiu que, caso eleito, "vai cortar quem tiver que cortar".
O Mercosul, outro alvo recorrente das críticas do ex-governador, também foi citado por Serra. Para ele, é importante "salvar" o bloco e fortalecer o livre comércio entre os seus países.
– Eu acho que o Mercosul tem que ser reformado. Foram fixadas metas muito ambiciosas, queimando etapas –, disse.