Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Serra abre mão da paternidade sobre os genéricos e perde bandeira de campanha

Depois de abrir mão da paternidade pela implantação dos medicamentos genéricos no país, o candidato tucano José Serra partiu para outro argumento e, em sua página na internet, preferiu elogiar a decisão que tomou, quando ainda ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), de incentivar o programa de combate à aids.

Quarta, 28 de Julho de 2010 às 08:24, por: CdB

Depois de abrir mão da paternidade pela implantação dos medicamentos genéricos no país, o candidato tucano José Serra partiu para outro argumento e, em sua página na internet, preferiu elogiar a decisão que tomou, quando ainda ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), de incentivar o programa de combate à aids. A iniciativa recebeu o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) e foi considerada modelo para o mundo por técnicos da instituição. Serra preferiu assumir a paternidade da lei que garante tratamento a 100% das pessoas com aids e estabelece a distribuição gratuita e universal de anti-retrovirais, que inibem a reprodução do HIV no sangue. Em 2001, o alto preço de dois medicamentos do kit anti-aids que o Brasil distribuía gratuitamente a 100 mil portadores de HIV ameaçava inviabilizar o programa. "Para escapar de um aumento no orçamento já elevado – US$ 303 milhões – a alternativa era quebrar a patente do produto e fabricá-lo aqui", lembrou o tucano, em seu site. "Para tentar impedir essa medida extrema, autorizada pela lei em casos especiais, os Estados Unidos entraram com uma queixa contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). Serra assumiu a responsabilidade pelas negociações e conseguiu mobilizar a opinião internacional, mostrando o alcance humanitário da causa. Os norte-americanos voltaram atrás. Serra determinou a quebra de patente do Nelfinavir", diz o texto. – Ao desafiar a indústria farmacêutica, o Brasil deu transparência aos elevados custos das patentes num negócio em que as empresas não revelam seus preços. Antes da ação do Brasil, muitas pessoas infectadas morriam em países em desenvolvimento sem receber tratamento – afirmou Amy Nunn, co-autora de estudo da Universidade Brown (EUA) sobre o assunto. Ainda segundo o tucano, graças ao programa do Ministério da Saúde, a mortalidade causada pela Aids no Brasil caiu para a metade e houve a redução de cerca de 80% no tratamento das infecções oportunistas e a transmissão da doença de mãe para filho diminuiu 70%. – Nós avançamos, desde aquela época, não apenas na definição das políticas, mas também na questão do abastecimento de medicamentos – destacou Serra durante reunião do Conselho Empresarial Nacional de Prevenção ao HIV/AIDS (CENAIDS). Quanto aos genéricos, o tucano disse que a ideia já existia e apenas trabalhou para colocá-la em prática enquanto esteve no comando do Ministério da Saúde. – Não fui eu quem inventei genérico. Os genéricos, já existia a ideia. Eu nem sabia quando eu assumi o Ministério (da Saúde) – afirmou. Serra lembrou que foi o ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho (PSDB) o primeiro a lhe falar sobre os medicamentos genéricos e, a partir daí, decidiu trabalhar pela sua implementação. O PSDB, porém, publicou em sua página na internet um texto no qual apresentava o candidato como patrono da "Lei dos Genéricos", e destacou a promessa do partido de "turbinar" esse tipo de medicamento. Diante dos protestos dos verdadeiros idealizadores da política dos genéricos, aliados da candidata adversária Dilma Rousseff (PT), os tucanos tiveram que voltar atrás. Segundo Dilma afirmou, foi o ex-ministro do governo Itamar Franco, Jamil Haddad, que lutou pela implantação dos genéricos, retirando dos tucanos uma de suas principais bandeiras eleitorais. Na noite passada, o tucano discursou em evento político organizado pela senadora Kátia Abreu (DEM), em Palmas. A democrata convidou aliados políticos, prefeitos da região e correligionários do ex-governador Siqueira Campos (PSDB) para ouvir as propostas de Serra em sua campanha. Campos é candidato ao governo do Estado.

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